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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 20:06
A mais alta Corte do país atravessa possivelmente uma das maiores crises de sua história recente. Um escândalo envolvendo supostas fraudes no Banco Master atingiu diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que, após apelos de colegas, decidiu deixar a relatoria das investigações relacionadas ao caso. >
O ministro vinha enfrentando, há semanas, forte pressão interna, o que vinha gerando desgaste para a imagem da Suprema Corte. A decisão de Toffoli foi comunicada pelo STF após reunião entre os dez ministros da Corte - atualmente, o Supremo não está completo porque Luís Roberto Barroso deixou o tribunal e ainda não houve a aprovação de um substituto.>
Durante o encontro, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, apresentou aos colegas informações repassadas pela Polícia Federal, que indicariam que foram encontradas, junto a representantes do banco, menções ao ministro Dias Toffoli. Em nota, o magistrado negou qualquer relação pessoal ou financeira com a instituição.>
No relatório, a Polícia Federal não chegou a formalizar pedido de afastamento do caso, mas citou dispositivos da Lei Orgânica da Magistratura que tratam de indícios de crime, além de trechos do regimento interno do STF relacionados à suspeição de magistrados.>
Apesar do desconforto gerado entre integrantes do Supremo com a condução do caso por Toffoli, a nota divulgada pela Corte traz defesa institucional do ministro. Os magistrados manifestaram apoio pessoal e afirmaram “respeitar a dignidade” dele.>
A solução para o impasse teria sido sugerida pelo ministro Flávio Dino, como revelou o portal Poder360 em informação confirmada pelo Estadão. Dino propôs que o Supremo divulgasse uma nota conjunta, assinada por todos os ministros, em apoio a Toffoli. Em contrapartida, o colega liberaria o caso para sorteio de um novo relator.>
Trechos da reunião foram divulgados em reportagem do site Poder360. Ministros do STF disseram, reservadamente, à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, que suspeitam de gravação clandestina feita por Dias Toffoli. >
A reportagem reproduz falas dos ministros de forma literal. Toffoli negou: “É um fato absolutamente inverídico. Não houve nenhuma gravação da minha parte. Nada disso procede”, afirma ele.>
Toffoli foi indicado ao STF por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante seu primeiro mandato presidencial. O ministro tomou posse no fim de 2009, ocupando a vaga aberta após a morte do ministro Carlos Alberto Menezes Direito.>
Com a saída de Toffoli, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria do caso e já convocou a equipe de investigadores da Polícia Federal para uma primeira reunião sobre o tema, com o objetivo de se inteirar do andamento das apurações e definir os próximos passos da investigação.>
A reunião durou cerca de duas horas e ocorreu na tarde desta sexta-feira (13), por videoconferência, já que o ministro está fora de Brasília. >
Participaram delegados diretamente envolvidos no inquérito e diretores da Polícia Federal. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não participou do encontro.>
Conforme informações dos participantes do encontro, a equipe da Polícia Federal apresentou ao ministro as linhas gerais da investigação e alinhou questões técnicas e procedimentos que devem orientar a condução do caso daqui para frente.>