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Crise em Pernambuco ameaça provocar rompimento de partido na Bahia

Tensão entre João Campos e Rui Costa pode provocar efeito dominó e redesenhar alianças na Bahia

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 13:58

João Campos, Lídice da Mata, Rui Costa e Raquel Lyra
João Campos, Lídice da Mata, Rui Costa e Raquel Lyra Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados | Facebook | Casa Civil

Uma irritação do prefeito do Recife, João Campos, que preside nacionalmente o PSB, pode levar o partido a romper com a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia e migrar para o campo da oposição liderado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo estadual. A movimentação foi confirmada ao CORREIO por cinco fontes ligadas tanto ao governo quanto à oposição.

João Campos estaria irritado com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), defensor da tese de palanque duplo em Pernambuco. Isto é, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoie simultaneamente o prefeito do Recife, que deve deixar o cargo em abril para disputar o governo estadual, e a atual governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.

A proposta contraria João Campos, que deseja apoio exclusivo de Lula. O incômodo aumentou nas últimas semanas com a melhora do desempenho de Raquel Lyra nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado no início do mês (registrado sob os números PE-09595/2026 e BR-06559/2026) mostra o prefeito com 47% das intenções de voto, contra 35% da governadora. A diferença, porém, caiu de 22 pontos em outubro para 12 agora.

Outro ponto de desconforto é a possibilidade de Lula rifar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) da chapa à reeleição. De acordo com a imprensa nacional, o presidente tem dialogado com partidos de centro-direita e avalia oferecer a vaga de vice a uma dessas legendas.

Diante do cenário, João Campos ameaça retirar o PSB da base de Jerônimo na Bahia, onde o partido é comandado pela deputada federal Lídice da Mata (PSB), e levá-lo para a oposição. Integrantes da legenda - entre eles, o deputado federal pernambucano Felipe Carreras (PSB) - mantêm conversas com membros da família Coronel. O principal interlocutor seria o deputado federal Diego Coronel. A articulação prevê que a família dispute a reeleição pela sigla.

Um oposicionista classificou como “bem improvável” a mudança de lado, embora não descarte o movimento. Outros demonstram confiança e destacam o impacto que uma eventual migração poderia provocar, questionando qual seria o destino dos socialistas caso a ruptura se concretize.

Um integrante do PT afirmou, reservadamente, que a situação “preocupa”. Ele diz compreender a estratégia de Rui Costa ao manter diálogo com a governadora e tentar preservar ambos no mesmo campo político. Mas ressalta que, como Rui “não é exatamente um símbolo de habilidade política”, o ministro “acaba por pesar demais a mão e esticar a corda com João Campos e o PSB”.

Procurada, a assessoria de comunicação do ministro da Casa Civil informou que ele não vai se manifestar.

Se houver um rompimento entre o PSB e a base petista, não será a primeira vez que isso acontece. Em 2014, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chegou a ameaçar retirar de Lídice da Mata o controle do partido na Bahia, caso ela não disputasse o governo estadual para reforçar seu projeto presidencial.

Naquele ano, Lídice acabou candidata ao Palácio de Ondina e enfrentou Rui Costa na corrida pelo governo da Bahia, provocando um distanciamento entre PSB e PT no estado.