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Juliana Rodrigues
Publicado em 18 de março de 2026 às 15:19
O Palácio do Planalto já começou a desenhar as linhas mestras do que será o discurso de defesa para o próximo ciclo eleitoral. No coração do futuro programa de governo, o presidente Lula prepara uma cartada ambiciosa, um vultoso pacote de investimentos nas Forças Armadas. A movimentação, contudo, passa longe de ser apenas uma atualização de inventário ou renovação de frotas obsoletas.
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Lula e forças armadas
A motivação para esse aporte bilionário ganha urgência diante do atual tabuleiro global. As crescentes tensões geopolíticas, marcadas pela instabilidade no Leste Europeu e o acirramento de disputas no Oriente Médio, acenderam o alerta sobre a vulnerabilidade de nações que não possuem capacidade de dissuasão. Para o governo, o cenário internacional volátil serve como a principal justificativa para modernizar o aparato de defesa, transformando o investimento militar em um escudo contra incertezas externas e uma ferramenta de reafirmação da soberania.
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O governo federal decidiu que a melhor estratégia para lidar com as Forças Armadas não se faz apenas com gestos simbólicos, mas com a caneta no Orçamento. A ideia é garantir que projetos estratégicos como o desenvolvimento de submarinos, a aquisição de caças e a modernização do Exército tenham previsibilidade orçamentária garantida. Ao pregar o fortalecimento da Defesa, Lula tenta esvaziar o discurso da oposição no setor e atrair apoio dentro das Forças Armadas por meio do desenvolvimento tecnológico e da valorização da carreira.
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O arcabouço fiscal, por ora, não será um entrave para o fardamento. A sanção de uma medida legal voltada ao financiamento da Defesa, realizada em novembro de 2025, foi o primeiro passo concreto dessa nova era, uma autorização de cerca de R$ 30 bilhões com tratamento fora dos limites fiscais até 2031. Esse montante será destinado prioritariamente ao reaparelhamento e modernização das três Forças, sinalizando que a Defesa agora é tratada como prioridade de Estado.
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Um dos argumentos centrais para o eleitorado será a proteção dos recursos naturais e estratégicos do país, com foco na Amazônia e nas fronteiras. A proposta deve se concentrar na vigilância e no combate a crimes ambientais e transnacionais, justificando o gasto militar como uma ferramenta de apoio à segurança pública e de garantia da soberania.
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A proposta que será levada às ruas se concentra no fortalecimento da vigilância tecnológica e na repressão direta a duas principais ameaças da atualidade.
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Crimes transnacionais: o reforço no combate ao tráfico de drogas e armas nas fronteiras terrestres, o que justifica o investimento em inteligência e mobilidade.>