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Maiara Baloni
Publicado em 29 de abril de 2026 às 10:54
Ele surgiu para o Brasil em cima de um caminhão de bombeiros, liderando greves por melhores salários no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois, estava no Congresso Nacional e, em 2018, obteve mais de 1,3 milhão de votos para a Presidência da República. Agora, em 2026, Cabo Daciolo planeja o retorno à disputa. Sem mandato atual, mas mantendo o discurso religioso e o bordão "Glória a Deus", ele se movimenta como pré-candidato ao Planalto pelo partido Mobiliza (antigo PMN). >
Entre orações e polêmicas: como Cabo Daciolo tenta unir o voto evangélico e militar em 2026
Daciolo não segue os moldes da política tradicional. Seu perfil é uma mistura de militarismo, nacionalismo e um tom religioso constante. Filiado ao Mobiliza desde abril deste ano, ele mantém uma estratégia de campanha focada nas redes sociais e no contato direto com o público, frequentemente por meio de vídeos gravados durante jejuns e orações, como o período de 33 dias que anunciou recentemente, afirmando buscar proteção para o país. >
No campo das ideias, o pré-candidato defende o fortalecimento da soberania brasileira, com resistência à privatização de empresas como a Petrobras. Seu plano inclui investimentos pesados em infraestrutura, com foco na expansão da malha ferroviária e em parcerias para 'zerar filas' na saúde pública. Na economia, sustenta bandeiras como a redução da carga tributária e dos juros, defendendo que o Estado deve investir diretamente em áreas sociais para transformar o que ele chama de 'colônia' em uma 'nação'. >
A trajetória de Daciolo é marcada por declarações que geram debates em diferentes campos políticos. Ainda no início de sua vida pública, propôs alterar o texto da Constituição para substituir a frase "todo poder emana do povo" por "todo poder emana de Deus". O episódio foi o motivo para sua expulsão do PSOL na época, partido pelo qual havia sido eleito deputado federal. >
Outro momento de repercussão ocorreu em um debate presidencial em 2018, quando ele dirigiu uma oração de cura à então deputada Mara Gabrilli, que é tetraplégica. O episódio foi criticado por movimentos de pessoas com deficiência, que viram na oração uma banalização da sua condição e um desrespeito à autonomia da parlamentar. Além disso, o político é conhecido por discursos que mencionam conspirações internacionais, como a "URSAL" (União das Repúblicas Socialistas da América Latina).>
Embora a candidatura ainda precise de oficialização nas convenções partidárias, a movimentação de Daciolo é acompanhada pelo mercado político. Em 2018, ele terminou a disputa em sexto lugar, superando candidatos de partidos com maior estrutura e tempo de TV. Seu apoio atual concentra-se em setores do eleitorado evangélico e em grupos que buscam alternativas fora da polarização entre os nomes tradicionais. >
Recentemente, ele tem usado o espaço na mídia para apresentar nomes que integrariam um eventual governo, como o ex-jogador Ricardo Rocha para a área do Esporte. Aos 50 anos, o bombeiro militar e pastor concentra suas atuais atividades na consolidação da pré-candidatura, reafirmando bandeiras como o nacionalismo econômico e a redução de impostos, enquanto aguarda o calendário eleitoral para registrar oficialmente sua candidatura pelo Mobiliza.>