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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 14 de abril de 2026 às 19:00
O rombo de R$ 61,7 bilhões nas contas do governo central em 2025 já pesa sobre as decisões em Brasília. Para conter o avanço das despesas, o governo federal planeja acionar, a partir de 2027, os chamados gatilhos do arcabouço fiscal.
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O pacote deve desacelerar o crescimento dos gastos com pessoal e barrar a criação ou ampliação de benefícios tributários.
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O custo do Congresso Nacional
Os mecanismos estão previstos na lei complementar que instituiu o novo arcabouço fiscal, aprovado no fim de 2023. A lógica é simples: acionar freios automáticos sempre que as contas públicas saírem do eixo.
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Segundo o governo, a regulamentação deve aparecer pela primeira vez no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, com envio ao Congresso previsto para o dia 15 deste mês.
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As restrições seguem em vigor enquanto as contas estiverem no vermelho e só perdem efeito quando o governo voltar a registrar superávit, ou seja, quando a arrecadação supera as despesas.
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As regras valem para qualquer gestão e só abrem exceção em situações fora da curva, como casos de calamidade pública.
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Um dos principais impactos recai sobre os gastos com pessoal. A partir de 2027, essas despesas passam a crescer em ritmo mais lento do que o limite geral previsto no arcabouço.
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A folha ainda poderá subir acima da inflação, mas de forma mais contida, com alta de até 0,6% ao ano, bem abaixo do teto de 2,5% permitido para o conjunto das despesas.
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Dados citados pelo Portal Correio mostram que os gastos com pessoal somaram R$ 412,1 bilhões em 2025, com crescimento real de 4,3%. Para 2026, a projeção é de R$ 457,6 bilhões.
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Com o novo limite, o espaço para reajustes salariais, abertura de concursos públicos e concessão de benefícios tende a ficar mais apertado. O acompanhamento ficará sob responsabilidade da Secretaria de Orçamento Federal (SOF).
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Outro foco da estratégia econômica é a revisão dos incentivos fiscais concedidos a empresas. Com os gatilhos do arcabouço fiscal acionados, o governo quer barrar a criação de novos benefícios e também impedir a ampliação ou renovação dos atuais.
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A avaliação é que essas renúncias cresceram de forma desordenada ao longo dos anos, muitas vezes sem análise de impacto. Na prática, isso reduz a arrecadação e pressiona o equilíbrio das contas públicas.
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Com menos receita, o governo perde espaço para investir em áreas consideradas prioritárias.
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A proposta agora é fechar brechas e impor mais controle sobre esses incentivos, com regras de revisão periódica e maior transparência.
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A expectativa é dar mais previsibilidade às contas públicas e reforçar o compromisso com o ajuste fiscal em um cenário de maior cautela no mercado.
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As projeções indicam que o acionamento dos gatilhos não deve ser algo pontual. As estimativas apontam déficit de R$ 59,8 bilhões em 2026 e de R$ 28 bilhões em 2027, abrindo espaço para que as restrições acabem ficando por mais tempo, possivelmente até 2029.
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Mesmo com metas de superávit de 0,25% do PIB em 2026 e de 0,5% em 2027, o que realmente conta é o resultado efetivo das contas públicas.
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Em outras palavras, se o governo consegue ou não arrecadar mais do que gasta. Esse saldo final é o que define se as regras entram em vigor ou seguem valendo.
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O cenário coloca o governo diante de um impasse. De um lado, a necessidade de colocar as contas em ordem. De outro, a pressão para ampliar gastos e manter políticas públicas em funcionamento.
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Previsto em lei, o acionamento dos gatilhos deve intensificar o debate político e econômico nos próximos anos.
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