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Lula não está nem aí para Jerônimo e só pensa no Senado

O fato é que o governador já deve ter percebido: para Lula e para a cúpula do PT, a prioridade não é o governo estadual, mas as cadeiras no Senado

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 05:30

Presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues durante as eleições de 2022
Presidente Lula e o governador Jerônimo Rodrigues durante as eleições de 2022 Crédito: Paula Fróes/ARQUIVO CORREIO

Amigos, como já é de conhecimento geral, nas eleições deste ano os eleitores escolherão dois senadores. Isso significa que dois terços da composição do Senado - ou seja, 54 das 81 cadeiras - estarão em disputa. Trata-se de uma renovação expressiva, com potencial para mudar profundamente o perfil da Casa a partir de 2027.

Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que polarizam os dois principais campos ideológicos do país, já iniciaram uma disputa intensa pelo controle do Senado Federal.

Cada um tenta escalar o que considera seus melhores “jogadores” para a partida. E há um motivo estratégico claro: por ter menos integrantes que a Câmara dos Deputados, o Senado é politicamente mais fácil de controlar. Além disso, concentra atribuições decisivas, como a aprovação do procurador-geral da República, dos diretores do Banco Central e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Não custa recordar que Lula não conseguiu até agora aprovar no Senado o nome de Jorge Messias para o STF, indicado para substituir Luís Roberto Barroso, justamente por falta de apoio suficiente na Casa. O Senado também é responsável por julgar processos de impeachment contra o presidente da República.

Se a situação de Lula já é delicada com a atual composição do Senado, ela pode se tornar ainda mais difícil após as eleições deste ano. Bolsonaro, por sua vez, aposta alto: lançou nomes de peso para tentar formar maioria, como seu filho Carlos Bolsonaro, que deve disputar uma vaga por Santa Catarina, e Michelle Bolsonaro, cotada para concorrer pelo Distrito Federal.

Do lado de Lula, a movimentação é semelhante. Pensando no Senado, o presidente vai exonerar a ministra do Planejamento, Simone Tebet, para disputar por São Paulo. Pelo mesmo estado, também é cogitada a candidatura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. No Paraná, Lula pediu à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que entre na corrida pela Câmara Alta.

Na Bahia, surgiram nas últimas semanas rumores de que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) poderia ser retirado da cabeça de chapa para dar lugar ao ministro da Casa Civil, Rui Costa. As chances disso acontecer, contudo, são mínimas - eu diria, praticamente nulas.

A prioridade de Lula é o Senado. E, se ele considera Rui Costa seu melhor quadro eleitoral no estado, a tendência é escalá-lo para disputar uma vaga de senador. Demais disso, trocar a cabeça de chapa seria uma operação de alto risco político: qual discurso consistente o PT teria para justificar a substituição do governador? Isso significaria admitir erro na escolha e poderia colocar em xeque a confiança do eleitorado.

O movimento de Lula é inequívoco: sua principal aposta na Bahia está no Senado. Mesmo que o PT não mantenha o comando do Palácio de Ondina, o presidente poderá sustentar presença política relevante no estado caso consiga eleger seus senadores. O problema é o inverso: sem uma base sólida na Casa Alta, até um eventual novo mandato presidencial se tornaria vulnerável. Historicamente, a eleição do governador na Bahia costuma puxar as vagas para o Senado. Mas esse padrão não é uma lei.

Em 1962, Waldir Pires foi derrotado na disputa pelo governo e, ainda assim, seu grupo conquistou as cadeiras no Senado.

Abre parêntese aqui. Não se pode descartar que uma chapa “puro-sangue” do PT seja toda derrotada por transmitir ao eleitorado a imagem de “avareza política”, ao não dividir espaço com aliados. Fecha parêntese.

O fato é que Jerônimo Rodrigues já deve ter percebido: para Lula e para a cúpula do PT, a prioridade não é o governo estadual, mas as cadeiras no Senado. Como sugere a velha canção dos anos 2000, o presidente parece disposto a entoar um “tô nem aí” para o Palácio de Ondina. Pode até abrir mão do anel - o comando do estado -, mas não aceita perder os dedos: a maioria no Senado na eleição deste ano.