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O eleitor e os robôs: 62% dos brasileiros pretendem usar IA para pesquisar candidatos em 2026

Estudo do Projeto Brief indica que inteligência artificial será peça-chave na decisão do voto; maioria dos cidadãos aponta o TSE como principal responsável por fiscalizar abusos tecnológicos.

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 31 de maio de 2026 às 13:00

Inteligêcia artificial
Inteligêcia artificial Crédito: Shutterstock

Um levantamento conduzido pelo Projeto Brief revela que um contingente expressivo de 62,9% dos brasileiros que votam cogita recorrer a assistentes virtuais e plataformas de IA para levantar informações sobre os concorrentes ao pleito deste ano. No entanto, o avanço dessa tecnologia no ecossistema político acende alertas estruturais: o estudo mostra que a confiança irrestrita nos algoritmos ainda é minoritária, predominando uma postura de cautela na hora de validar os dados fornecidos pelas telas.

Os dados da plataforma de comunicação política apontam que 40,5% dos entrevistados pretendem consultar os sistemas automatizados, mas vão fazer uma dupla checagem cruzando os dados em outros canais informativos.

Lula por Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Por outro lado, 22,4% enxergam a IA como um canal de consulta comum, equiparável a qualquer outro meio disponível.

Na ala dos céticos e tradicionais, 23,2% dos cidadãos deixam claro que priorizam fontes consolidadas, como os debates políticos e o jornalismo profissional, enquanto 13,9% rejeitam categoricamente qualquer tipo de uso da IA no ambiente político.

O perigo da informação automatizada

Amparado por métricas publicadas originalmente pelo Correio Braziliense, o relatório aponta que 44,3% da população usam inteligência artificial para ler notícias e 38,3% se apoiam nela para testar a veracidade de um fato. Entre os usuários habituais dessas plataformas, 73,8% mostram total abertura para inseri-las no acompanhamento da corrida eleitoral.

Essa dependência em massa preocupa Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief, em virtude das imprecisões técnicas crônicas que rondam as ferramentas atuais. "As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis, e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso", adverte a especialista.

Demandas por controle e os bastidores dos dados

A percepção pública sobre a gravidade do tema é consensual, dado que 71,6% dos participantes acreditam que os algoritmos de IA possuem força suficiente para interferir diretamente no resultado das urnas.

No que tange à atribuição de responsabilidades para policiar e monitorar o uso político desses sistemas, a sociedade cobra respostas institucionais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lidera a fiscalização para a percepção de 51,6% do público. O governo federal é cobrado por 42,1%, seguido de perto pelas big techs e redes sociais com 38%, pelos próprios eleitores com 24,2% e pelas ONGs e entidades civis com 17,8%.

O mapeamento nacional coordenado pelo Projeto Brief ouviu 2.483 cidadãos por meio de formulários eletrônicos coletados nas redes sociais entre os dias 25 e 29 de abril de 2026.

Para assegurar o rigor estatístico da amostragem, o experimento dividiu os voluntários em três ramificações analíticas: um bloco neutro de controle composto por 1.000 voluntários, um grupo de 723 pessoas expostas a mídias modificadas por inteligência artificial e uma última célula de 760 indivíduos que avaliaram apenas gravações autênticas.

Tags:

Inteligência Artificial Politica Eleições 2026