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Quem é Renan Santos, o candidato da direita que desafia os Bolsonaro

Com discurso "linha-dura" inspirado em Bukele e forte apelo jovem, cofundador do MBL cresce nas pesquisas ao romper com a polarização tradicional

  • Foto do(a) author(a) Juliana Rodrigues
  • Juliana Rodrigues

Publicado em 30 de maio de 2026 às 17:59

Renan Santos, . Ele é o presidente e pré-candidato à Presidência da República pelo
Renan Santos é  pré-candidato à Presidência da República  Crédito: Foto: Divulgação/ CNM

A corrida presidencial de 2026 ganha um novo elemento com a consolidação da pré-candidatura de Renan Santos (Missão). Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), o paulistano de 42 anos tenta capitalizar o voto jovem e se posicionar como a única alternativa viável à direita fora da órbita do bolsonarismo.

Adotando uma retórica que ele próprio define como "Milei na forma e Bukele no conteúdo", Santos aposta no confronto direto; nas redes sociais, o tom subiu a ponto de o candidato chamar o senador Flávio Bolsonaro de "vagabundo" em uma transmissão ao vivo.

Do impeachment ao rompimento com a direita tradicional

A trajetória de Renan Santos confunde-se com a história recente da direita brasileira. Ele ganhou projeção nacional em 2014, ao capitanear os protestos de rua que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff.

Doze anos depois, o alvo mudou. O rompimento definitivo com o clã Bolsonaro ficou evidente quando Santos disparou contra o filho do ex-presidente no Instagram; "Eu vou acabar com a raça do Flávio Bolsonaro. Me aguarde, seu vagabundo."

Diferente de lideranças presas a dogmas partidários, o presidente do Missão adota um pragmatismo agressivo.

Embora rejeite rótulos ideológicos rígidos, sua plataforma é ancorada em ideias fortemente liberais, focadas na desregulamentação da economia, redução do Estado e modernização institucional.

Oposição à pauta econômica da Câmara e ofensiva contra o STF

Santos também tem usado temas de forte apelo popular para demarcar território. Diante da aprovação da PEC que revisa a escala de trabalho 6x1 na Câmara dos Deputados, o candidato foi na contramão do debate de transição e classificou a medida como puro populismo.

Em suas plataformas digitais, alertou que o projeto resultará em "informalidade, desemprego e quebradeira na indústria", resumindo sua visão com o ditado; "quando a esmola é muito alta, o santo desconfia".

O Judiciário é outro pilar de seu discurso de ruptura. Durante a 27.ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, o presidenciável mirou o Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo abertamente o fim das decisões monocráticas dos ministros e a proibição de que escritórios de advocacia ligados a magistrados atuem na Corte.

Isolamento na direita: o veto à anistia e gafes regionais

O posicionamento mais radical de Renan Santos dentro do seu próprio espectro político é a recusa em apoiar a anistia a Jair Bolsonaro.

Ao contrário de outros presidenciáveis conservadores que cortejam o espólio político do ex-presidente, Santos já sinalizou que o tema não será prioridade em um eventual governo.

Contudo, o maior obstáculo do candidato do Missão é romper o teto do eleitorado paulista e nacionalizar sua imagem. O esforço de expansão tem gerado ruídos e crises regionais.

Em viagem ao Nordeste, o candidato causou forte desgaste político ao declarar que "a democracia não existe no Maranhão" e sugerir uma "intervenção" no estado, fala que foi duramente criticada por lideranças locais.

Segurança confinada e desmonte de programas sociais

A espinha dorsal do plano de governo de Santos está na segurança pública, área em que busca mimetizar o modelo repressivo do presidente salvadorenho , Nayib Bukele. Suas propostas incluem a criação de prisões perpétuas para lideranças de facções criminosas e a proliferação de escolas cívico-militares.

Na pauta social e de costumes, além de se posicionar contra as cotas raciais e a Lei da Misoginia, o candidato propõe o que chama de "mutirão anti-Bolsa Família".

O plano consiste em substituir o benefício de assistência social por frentes de trabalho obrigatórias para jovens e adultos saudáveis.

O argumento utilizado pelo candidato é estritamente fiscal: ele defende que o custo do programa pesa injustamente sobre o salário dos brasileiros que estão no mercado formal de trabalho.

Tags:

Eleições Politica