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Seca na Bahia: ACM Neto critica governos do PT e cobra obras de segurança hídrica no semiárido

Evento em Irecê debate impactos da estiagem, cobra obras estruturantes e alerta para avanço da desertificação no estado

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 22:16

Evento teve a presença do ex-governador Paulo Souto e do ex-ministro Ciro Gomes
Evento teve a presença do ex-governador Paulo Souto e do ex-ministro Ciro Gomes Crédito: Divulgação

Um dos temas que mais preocupam a população baiana atualmente é a seca. No ano passado, cerca de 2 milhões de pessoas foram afetadas pela estiagem, segundo dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec). Diante da gravidade do cenário, a Fundação Índigo, liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), promoveu, na noite desta quinta-feira (5), o evento “SOS Bahia: Caminhos para transformar a realidade do semiárido baiano”, em Irecê, no centro-norte do estado.

Para ACM Neto, os governos do PT na Bahia não adotam medidas efetivas para reduzir os impactos severos provocados pela seca.

“85% do território baiano é no semiárido. Metade da população baiana vive no semiárido. Quando a gente olha, em 20 anos de governos do PT, não houve o início nem a conclusão de uma grande obra para reforçar a segurança hídrica em todo o semiárido do nosso estado. Não há uma barragem que tenha começado e concluída no governo do PT no seminário. Em diversos municípios, falta água para o abastecimento humano, para garantir a vida da produção animal. Falta água para a produção de alimentos. O pequeno agricultor foi esquecido. Não tem apoio técnico, não tem linha de crédito e financiamento, nem acesso a água”, declarou ACM Neto.

Por causa da seca, em abril do ano passado, mais de 70 municípios baianos chegaram a ter a situação de emergência por estiagem reconhecida pelo governo federal. Os dados são do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). São consideradas em estiagem as localidades acometidas por um período prolongado de baixa ou nenhuma pluviosidade, em que a perda de umidade do solo é superior à sua reposição.

Em Irecê, onde foi realizado o evento da Fundação Índigo, moradores enfrentaram, no fim do ano passado, a seca mais severa dos últimos 40 anos. Pecuaristas relataram dificuldades para manter o rebanho e cobraram apoio dos governos estadual e federal para reforçar o Programa de Distribuição de Milho.

Presente no evento, o ex-ministro da Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PSDB), afirma que o governo federal hoje não dá a devida atenção ao combate à seca.

“Falta ao Brasil um projeto estratégico que enfrente o problema do semiárido, que é endereço da miséria e da pobreza dos mais sofridos do país. Tem muita pobreza nas periferias das grandes cidades. O fundo da Amazônia é o endereço de muita pobreza, mas a miséria mais sofrida e o polo mais hostil é o semiárido do Nordeste”, ressaltou.

Ciro Gomes criticou a lentidão de dois projetos relevantes para atenuar a situação da seca. “Um deles nem sai do papel que é do Canal do Sertão Baiano e o Projeto de Irrigação Baixio de Irecê. Esse está andando, a iniciativa privada entrou e tem dois lotes. Mas são, ao todo, nove lotes. Então, é preciso garantir o abastecimento humano e nem isso está garantido”, acrescentou.

Ex-governador da Bahia, Paulo Souto alertou que algumas áreas do estado já enfrentam um processo avançado de desertificação e lamentou que o tema ainda não receba a devida prioridade.

“Acho ótimo que o país se emocione com o problema da Amazônia. Deve ser assim. Mas eu não vejo, por exemplo, manifestações de grupos da sociedade com o problema do Nordeste, principalmente, do semiárido. Este é um problema que afeta muito as pessoas, sobretudo, as mais vulneráveis”, emendou, que fez um apelo por um projeto de “salvação” do Rio São Francisco.

No final do evento, foi apresentada uma carta-compromisso com diversas propostas para enfrentar o problema da seca, como recolocar o semiárido no centro das prioridades políticas e orçamentárias, retomar uma política estruturante de segurança hídrica e concluir projetos estratégicos, como o Canal do Sertão Baiano, os Baixios de Irecê e o Projeto Salitre.

O documento também prevê a construção de novas barragens de médio porte e a conclusão das barragens de Baraúnas e Catolé. Além disso, propõe a implantação de adutoras estruturantes, integrando barragens, sistemas regionais e sedes municipais.