"Acabei desmaiando", diz nutricionista agredida durante assédio no Carnaval de Salvador

Por causa da grande perda de sangue, ela desmaiou dentro do posto de saúde

Publicado em 8 de fevereiro de 2016 às 15:15

- Atualizado há 10 meses

A nutricionista Ludmylla Souza Valverde, 27 anos, que foi agredida após assédio durante o carnaval, na noite de sexta-feira (5), chegou a desmaiar após a agressão. A violência ocorreu no circuito Dodô (Barra-Ondina), próximo à entrada do Barra Center.

Depois da agressão, Ludmylla conseguiu chegar a um posto de saúde. "Levei oito pontos e tomei soro. Acabei desmaiando por conta da quantidade de sangue perdida", conta. Por volta das 23h de sexta (5), Ludmylla e sua irmã, a advogada Thaianna de Souza Valverde, 29, estavam na Barra aguardando a passagem do trio de Luiz caldas. Dois homens saíram do bloco Eu Vou, comandado no dia pela banda Aviões do Forró, e começaram a assediar as duas.Foto: Arquivo Pessoal"Eu tava passando batom. Um dos homens meteu a mão, borrou meu batom e depois ficou tentando limpar a mão em mim. Aí ele ficou me agarrando pela cintura", relatou Thaianna. Nesse momento, Ludmylla interviu, pedindo para o homem sair. "Ele veio falar que eu era ignorante e que se não sabia brincar que eu ficasse em casa", disse a nutricionista.Na discussão, o homem empurrou Ludmylla, que caiu sobre um isopor. "Quando levantei e fui na direção dele, o amigo que estava atrás jogou um copo de acrílico no meu rosto", relatou. Ela teve um corte no supercílio esquerdo. "O olho inchado e os pontos doem muito, mas o que mais dói é sentir na pele o peso do machismo da nossa sociedade", desabafou.

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BAIXE O FAROL: O APLICATIVO QUE VAI TE GUIAR NO CARNAVALThaianna, que comemorava seu aniversário, conta que ficou desesperada com a quantidade de sangue. "Foi muito doloroso, porque o Carnaval apenas explicita questões que existem em nossa sociedade, da desigualdade de gênero e do domínio de nossos corpos. Os homens pensam que por estarmos em um local público, temos que estar submetidas a seus desejos".Foto: Arquivo PessoalInvestigaçãoNo sábado (6), as irmãs foram na 14ª Delegacia (Barra) prestar queixa e realizar um exame de corpo de delito. A delegada, Carmen Dolores, informou que já solicitou as imagens das câmeras de segurança espalhadas pelo circuito, para tentar identificar os autores do crime. Caso identificados, eles serão autuados por lesão corporal e constrangimento ilegal.A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Mônica Kalile, disse que já acionou o Ministério Público. "Se foi uma lesão gravíssima, que ela fique impossibilitada de trabalhar por 30 dias, pode chegar à pena mínima por até três anos. Mas nós temos que localizar quem foi, porque foram dois. A primeira coisa que a gente quer é acolher ela. Depois, vamos atrás deles. Pode ser que a gente não consiga encontrá-los, mas esse fato precisa alertar mais a população".* Colaborou a repórter Clarissa Pacheco