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Wendel de Novais
Publicado em 28 de maio de 2026 às 11:18
O centro histórico de Salvador será palco, neste sábado (30), de uma ocupação cultural marcada por grafite, música, ancestralidade e resistência popular. A partir das 9h, a Rua do Corpo Santo, no bairro do Comércio, recebe a segunda edição do Mutirão de Grafitagem do Santuário Zé Pilintra, iniciativa que une arte urbana e valorização das tradições afro-brasileiras e indígenas. >
A ação é promovida pelo Escritório Público de Arquitetura e Engenharia da Unifacs (EPAE-UNIFACS), em parceria com o Santuário Seu Zé Pilintra. O evento é aberto ao público e contará com apresentações musicais e participações de artistas locais como Lumumba Afroindígena, Mucunã, Biel Gomez e outros convidados.>
Mais do que uma intervenção artística, o mutirão propõe uma ocupação simbólica do espaço urbano no Comércio, transformando o entorno do santuário em um ponto de encontro entre memória popular, cultura de rua e espiritualidade. A proposta também busca enfrentar preconceitos históricos ligados às religiões de matriz africana e reforçar a importância da malandragem baiana como expressão cultural e identidade popular.>
Fundado em 2023 pelo babalorixá Pai Wellington, o Santuário Seu Zé Pilintra se consolidou como espaço de fé, acolhimento e resistência cultural em Salvador. Instalado na Rua do Corpo Santo, o local reúne práticas espirituais, ações comunitárias e caminhadas em homenagem a Seu Zé, figura associada à proteção, à boemia e à cultura popular brasileira.>
Para os estudantes envolvidos no projeto, o mutirão também funciona como experiência prática de formação profissional. A iniciativa aproxima futuros arquitetos e engenheiros das dinâmicas sociais e culturais da cidade, utilizando conceitos de urbanismo tático, mediação comunitária e preservação do patrimônio imaterial.>
"A intervenção no Santuário Seu Zé Pilintra consolida o compromisso do EPAE com a justiça territorial, a valorização do patrimônio intangível e a governança espiritual da malandragem baiana na revitalização urbana", afirma a professora Dra. Maria Alice Silva, integrante da equipe docente do EPAE. "Trabalhar na arquitetura da encruzilhada com grafitagem com a comunidade local nos permite construir uma pedagogia urbana decolonial, onde os alunos se formam na prática com um movimento cultural que lança e reforça a caminhada de proteção e resiliência comunitária".>
A expectativa é que o mutirão reúna artistas, moradores, estudantes e frequentadores do centro histórico em uma grande celebração coletiva marcada pela arte, pela música e pela ocupação cultural do território urbano. A iniciativa também reforça o papel do Santuário Seu Zé Pilintra como patrimônio vivo da cultura popular soteropolitana.>