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Mariana Rios
Publicado em 28 de maio de 2026 às 11:56
Mais de 574 mil brasileiros já solicitaram o bloqueio do próprio acesso a plataformas de apostas online autorizadas no país por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta criada pelo governo federal para tentar reduzir os impactos das chamadas “bets”. >
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que a principal razão apontada pelos usuários para pedir a exclusão é a perda de controle sobre o jogo e possíveis danos à saúde mental. O motivo aparece em 41% dos pedidos registrados até agora.>
Questões relacionadas à segurança e privacidade de dados representam 18% das solicitações, enquanto problemas financeiros correspondem a 12%. Outros 13% afirmaram ter tomado a decisão de forma voluntária, sem apontar uma razão específica. Já 14% preferiram não informar o motivo.>
A plataforma foi desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e entrou em funcionamento em dezembro de 2025. O sistema permite que uma pessoa bloqueie, de uma só vez, o acesso a todos os sites de apostas regularizados no Brasil.>
Ao fazer o pedido, o usuário informa os próprios dados e escolhe se deseja um bloqueio temporário — entre um e 12 meses — ou por tempo indeterminado. Segundo o governo, 69% das pessoas optaram pelo bloqueio sem prazo para terminar. Entre quem escolheu período determinado, um ano foi a opção mais comum.>
Além de impedir acesso às plataformas já cadastradas no CPF do usuário, a autoexclusão também bloqueia novos registros e suspende o envio de publicidade direcionada sobre apostas.>
A ferramenta reúne ainda orientações sobre saúde mental, informações sobre serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), links para empresas autorizadas a operar no país e um autoteste voltado à identificação de possíveis problemas relacionados ao jogo.>
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de prevenção e redução de danos ligados às apostas online.>
O governo também anunciou, na terça-feira (26), investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deve começar ainda em 2026.>
A recomendação oficial é que pessoas com dificuldades relacionadas ao jogo procurem apoio em unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou profissionais de saúde de confiança.>