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Gil Santos
Publicado em 20 de agosto de 2016 às 08:30
- Atualizado há 2 anos
Cinco ciganos foram presos, na sexta-feira (19), durante uma operação da Polícia Civil em busca dos suspeitos de envolvimento nas mortes dos irmãos gêmeos Cézar Sílvio e Sílvio Cézar Carvalho Santos, 45 anos, executados a tiros na Baixa do Tubo, na última quarta-feira. A operação, que cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Simões Filho, contou com 100 policiais civis. Foram apreendidos ainda 12 armas, cartuchos, munições e R$ 16 mil em dinheiro. A polícia encontrou armas ainda na casa de um sexto cigano, que não foi localizado.>
Apesar de ainda não haver evidências da participação deles na morte dos irmãos, os ciganos responderão por porte ilegal de arma. A polícia não informou se houve buscas na casa do cigano Gilmar Ferraz de Almeida, acusado de participação nas mortes de mais três parentes dos gêmeos: a professora Nilda Maria Fiuza e os jovens David Soares Santos e Uanderfon Alves dos Santos, no dia 14 de agosto de 2014 (veja na página ao lado).Foram apreendidos 12 armas, cartuchos e munições em seis casas(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)No entanto, paralelo à operação, a Justiça decretou ontem a prisão preventiva de Gilmar, irmão do cigano Jair Ferraz de Almeida, morto em 2014 pelo irmão dos gêmeos, o comerciante Jailton Carvalho Santos. O mandado foi expedido pelo juiz substituto Marcelo Félix, da Comarca Criminal de São Sebastião do Passé, município onde os corpos de Nilda e David foram encontrados carbonizados e com marcas de tiro e torturas. O pedido de prisão foi solicitado pela delegada Joana Angélica, titular da Delegacia de São Sebastião do Passé. >
PrisõesAlguns dos presos na operação de ontem estavam com armamento de uso exclusivo das Forças Armadas. Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o delegado José Bezerra Júnior, a operação começou a partir de uma denúncia. Depois, as investigações levaram os policiais até os ciganos, presos em flagrante. “Temos uma linha de investigação definida e com as identificações dos principais suspeitos de participação nos assassinatos”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, acrescentando que a polícia está empenhada em esclarecer os crimes e prender os autores.A polícia não confirma, mas também não descarta o envolvimento dos presos com os assassinatos ocorridos na família dos gêmeos. “Essa foi uma das medidas adotadas desde a morte dos irmãos (Sílvio e Cézar). Esperamos com essa medida (as prisões) e outras que estão por vir, obter elementos e informações que possam elucidar, de forma célere e rápida, o caso, identificando não apenas os autores diretos desse crime, como também os seus mandantes”, afirmou Bezerra.Segundo o advogado dos suspeitos, o criminalista Abdon Abbade, os ciganos presos ontem não tinham relação nem conheciam os ciganos Jair Ferraz de Almeida e o irmão dele, Gilmar Ferraz de Almeida. “Os presos não têm relação com o assassinato do advogado e do cinegrafista. Este mandado de busca emitido hoje (ontem) foi em face da informação de que eles portavam armamento em suas residências”.>
ArmamentosDjalma Alves Lemos, 56 anos, e o sobrinho Jairo Cerqueira, 35, foram presos em casa, no bairro Parque Continental. Com Djalma, os policiais encontraram duas pistolas ponto 40 e 380, carregadores e munições. Ele estava também com uma pistola Glock 45, armamento de uso exclusivo das Forças Armadas e não fabricado no Brasil. Já Jairo estava com uma pistola bereta 635 e outra modelo 51, um revólver calibre 38, uma escopeta calibre 12, cartuchos e munição. No ano passado, ele foi preso também por porte ilegal de arma. No centro da cidade foram presos Lenival , 62, e os filhos Genivaldo, 42, e Iran dos Santos Gama, 29. Com Lenival foi apreendido um rifle calibre 38. Genivaldo estava com outro rifle 38, uma pistola 380, quatro facões e R$ 16 mil. O irmão, Iran, estava com uma pistola 380, carregadores e munição. O terceiro filho de Lenival, Genildo dos Santos Gama, não foi localizado. Na casa dele, os investigadores encontraram uma pistola Glock 926 – de uso exclusivo das Forças Armadas – e munição. Segundo a polícia, parte das armas estava escondida no sótão de uma das casas, em um compartimento no teto do imóvel. Outras estavam mais à vista e prontas para ser usadas de imediato. Com exceção de Jairo, os ciganos não tinham passagem pela polícia. [[saiba_mais]] SegurançaSegundo o advogado dos ciganos, Abdon Abbade, as armas encontradas com os suspeitos eram de uso pessoal. “Segundo eles, as armas foram adquiridas para a segurança pessoal. Eles viajam muito. Faz parte da atividade comercial deles e a cultura cigana estabelece que eles utilizem armas para defesa pessoal”, informou.Ainda segundo o advogado, os ciganos estavam com armamento exclusivo das Forças Armadas por falta de conhecimento. “É uma questão de discernimento da cultura cigana quanto ao que pode efetivamente portar e o que não pode. É muito difícil explicar ao cigano o que é de uso restrito e o que não é”, afirmou. Abadde disse ainda que os R$ 16 mil encontrados com Genivaldo foram adquiridos com a venda de produtos. Ele disse que fará o pedido de fiança e espera que o juiz assine o alvará de soltura dos cinco ciganos presos. A polícia informou que as armas encontradas com os ciganos serão encaminhadas para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) para ser periciadas. O objetivo é verificar se elas foram usadas em algum tipo de crime. A polícia também apura de onde veio o arsenal, por que estavam nesses imóveis e se o material estava sendo comercializado pelos suspeitos. “O cigano vive do comércio, então, pode ser que eles adquiram uma arma e possam vender a terceiros”, argumentou o advogado.>