Rodoviários voltam a circular no Complexo do Nordeste neste sábado

Serviço estava suspenso depois que cinco pessoas foram assassinas no bairro

Publicado em 22 de setembro de 2017 às 18:42

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Evandro Veiga/CORREIO

Depois de passar três dias sem entrar nos bairros do Complexo do Nordeste de Amaralina, os rodoviários devem retomar o serviço na madrugada deste sábado (22). Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), a decisão foi tomada em uma reunião realizada na manhã desta sexta com representantes das empresas e do sindicato dos rodoviários. O transporte foi interrompido depois que cinco pessoas foram assassinadas e protestos foram realizados no bairro.

O Sindicato dos Rodoviários garantiu que o serviço será regularizado no primeiro horário da manhã. Desde a quarta (20), os ônibus deixaram de ir até os finais de linhas dos bairros de Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Nordeste de Amaralina. Desde então os terminais foram improvisados na entrada do Parque da Cidade, na Rua do Canal, e em frente ao quartel da Aeronáutica, em Amaralina. Por conta da suspensão do serviço, alguns moradores estão tendo que caminhar até 1km para chegar em casa.   A estudante de veterinária Débora Batista, 23 anos, mora próximo ao fim de linha da Santa Cruz e teria que caminhar mais de 1km para chegar até a Avenida ACM, onde fica o ponto de ônibus mais próximo para o trabalho e a faculdade onde ela estuda. Para evitar a caminhada e o risco de assalto ela está pagando R$ 3,60 todos os dias para que um carro particular a leve até o ponto. "São R$ 3,60 para ir e mais R$ 3,60 na volta, além dos R$ 3,60 do ônibus. Eu chego da faculdade por volta das 22h, então, não vou arriscar caminhar esse horário sozinha. Toda essa situação é um absurdo. Eu não estava preparada para ter essa despesa. Eles precisam resolver o problema", contou.   Dentro dos bairros o clima segue a normalidade. O comércio abriu as portas e as pessoas saíram às ruas. Algumas crianças aproveitaram a ausência dos ônibus para transformar as pistas em campo de futebol. Para a comerciante Debilma dos Santos, 40, a suspensão do serviço de transporte público significa também prejuízo.

  "Eu tenho uma lanchonete aqui, no fim de linha do Nordeste de Amaralina, e muitos dos meus clientes são rodoviários. Como eles não estão vindo mais até o fim de linha, meu faturamento caiu. O comércio está todo aberto no bairro. Não sei porque o serviço ainda não voltou", afirmou.   Desde a terça-feira, cinco pessoas foram mortas no Complexo do Nordeste de Amaralina. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), as mortes ocorreram durante confronto com policiais militares. Por conta da insegurança, 15 escolas suspenderam as aulas e cerca de 4 mil estudantes foram prejudicados.