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Wendel de Novais
Publicado em 18 de março de 2026 às 13:02
Pedro Vitor Lima Sena Souza, traficante conhecido como “Mister” do Bonde do Maluco (BDM) e apontado como mentor do sequestro de uma idosa e suas duas filhas no Salvador Shopping, contou à polícia onde ficava o cativeiro das vítimas por meio de uma chamada de vídeo feita de dentro de uma cela na Penitenciária Lemos de Brito, no Complexo da Mata Escura, em Salvador, de acordo com informações da TV Bahia. Apesar de preso, Mister teria articulado o crime com Emile Quéssia Oliveira Silva Sena, sua esposa, que foi detida por executar a ação criminosa.>
“A pedido da polícia, Emile ligou para seu companheiro, Pedro Vitor Lima Sena Júnior, que, mesmo preso, atendeu ao chamado. Após saber que sua esposa estava detida, iniciou negociações para informar o cativeiro das três mulheres sequestradas. Por meio de chamada de vídeo, Pedro Vitor indicou o local do cativeiro e, ao chegar ao imóvel, que ficava ao lado de um matagal, a equipe se identificou, tendo ouvido gritos das mulheres em resposta, arrombando a porta e constatando a presença das três vítimas, debilitadas”, detalha a polícia em documento divulgado pela TV Bahia.>
Emile Quessia se descreve como 'cristã e casada'
Antes de chegar ao paradeiro das vítimas, equipes policiais se dirigiram ao Subúrbio, onde o veículo das vítimas foi encontrado. Nesse momento, familiares das desaparecidas contataram servidores da Caixa Econômica Federal, que informaram que estavam sendo feitas tentativas de Pix a partir da conta de uma das vítimas e que uma das beneficiárias seria Emile Quéssia.>
Ao receber a informação, as equipes se deslocaram até a casa da suspeita, que, ao perceber a chegada da polícia, correu e tentou descartar o próprio celular. Mesmo diante das transferências e da ligação com o marido, Emile negou participação no crime.>
“Detida e questionada sobre o fato de estarem tentando fazer um Pix de R$ 50 mil para sua conta, Emile disse que não tinha nada a ver com essa história. Ao buscar registros da comunicada, descobriu-se que ela era esposa de um presidiário, Pedro Vitor Lima Sena Júnior. Nesse momento, Emile afirmou que possivelmente seu companheiro seria o autor do crime, continuando a negar participação no delito”, completa o documento.>
Cristã e casada>
Apesar do envolvimento com o crime, Emile Quéssia Oliveira da Silva Sena mantinha uma imagem diferente nas redes sociais. Em publicações, a suspeita se apresentava como “cristã, casada e mãe de pets” e costumava compartilhar versículos bíblicos com os seguidores.>
A maioria das postagens tinha tom motivacional. “Agora, minha filha, não tenha medo; farei por você tudo o que me pedir. Todos os meus concidadãos sabem que você é mulher virtuosa”, escreveu ao citar um trecho bíblico em um vídeo de pregação evangélica publicado em seu perfil.>
Além das mensagens de “bom dia”, ela também fazia publicações com teor profético. “Este ano Deus vai descer em muitos Ananias e Safiras. Eu recuperei este vídeo com o comando do Senhor. Pegue se quiser. Acredite se quiser. Mas Deus está avisando. Não pare no meio do processo”, afirmou em outro post.>
Apesar da suposta ligação do companheiro com atividades criminosas, a suspeita nunca escondeu o relacionamento e demonstrava afeto nas publicações. “Somos muito almas gêmeas. Minha versão masculina não se parece comigo, e sim com meu marido”, escreveu.>
‘Mister’ do BDM>
Apontado como o nome por trás do sequestro, Pedro Vitor Lima Sena Souza, conhecido pelos apelidos “Mister”, “Surfista” ou “Noruega”, é investigado por envolvimento com o Bonde do Maluco (BDM) e acumula uma série de passagens pela polícia.>
De acordo com fontes policiais, ele é apontado como líder de um grupo criminoso com atuação no município de Seabra e regiões vizinhas, sendo responsável por coordenar ações de tráfico de drogas e outros crimes, inclusive de dentro do sistema prisional.>
As investigações indicam que ele “emanava ordens aos demais integrantes a ele subordinados, mesmo custodiado” no Complexo da Mata Escura, em Salvador.>
O nome de Pedro Vitor aparece em diferentes procedimentos policiais ao longo dos últimos anos. Em março de 2020, ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, após ser abordado com um revólver calibre .38. No mês seguinte, voltou a ser detido, desta vez suspeito de participação em uma série de roubos praticados em via pública, junto com comparsas.>
Além desses registros, também foi alvo de investigações mais recentes. Em 2024, foi citado em um inquérito que apura organização criminosa e tráfico de drogas ligados ao BDM em Seabra. No mesmo ano, passou a ser investigado por um caso de homicídio qualificado na região.>