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Método japonês de treino que restringe o fluxo de sangue vira tendência no Brasil

Técnica permite ganhos musculares com cargas leves, mas exige cuidados

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Foto do(a) author(a) Agência Einstein
  • Carol Neves

  • Agência Einstein

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 14:06

Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo
Treinamento com restrição de fluxo sanguíneo Crédito: Reprodução

O uso do treinamento com restrição de fluxo sanguíneo tem se difundido no esporte e na reabilitação por possibilitar aumento de força e hipertrofia muscular sem a necessidade de cargas elevadas. A estratégia, conhecida pela sigla BFR (do inglês blood flow restriction), utiliza manguitos posicionados nos braços ou nas coxas, inflados com pressão controlada para limitar parcialmente a circulação sanguínea durante o exercício.

Embora seja frequentemente apresentada como novidade, a técnica existe desde a década de 1960, quando surgiu no Japão sob o nome de KAATSU. Atualmente, é aplicada em diversos países, inclusive no Brasil, tanto no treinamento esportivo quanto em programas de recuperação funcional. Ainda assim, especialistas alertam que o método exige critérios rigorosos. “Mas é importante reforçar que não é simplesmente apertar a perna e treinar. A pressão precisa ser individualizada, o equipamento adequado e a aplicação, supervisionada”, ressalta o profissional de educação física Brendo Faria Martins, preparador físico do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Einstein Hospital Israelita.

Segundo o especialista, o efeito do método está ligado às alterações fisiológicas provocadas pelo manguito. “Com o manguito inflado, o retorno venoso fica mais difícil e, em alguns casos, há também uma leve redução da chegada de sangue arterial. Isso cria um ambiente de menor oxigenação e maior estresse metabólico, fazendo com que o músculo trabalhe mais mesmo com cargas leves ou até durante uma simples caminhada”, explica Martins, que é especializado em Fisiologia do Exercício.

Rosca direta com objetosTrabalha bíceps de forma localizada. Excelente para ganhar força e resistência nessa musculatura. Que é bastante utilizada no dia a dia por Reprodução: Web

Por esse motivo, o treinamento com restrição de fluxo sanguíneo costuma ser indicado para pessoas que não conseguem realizar exercícios com altas cargas, como pacientes em pós-operatório, indivíduos com dor ou limitação articular, idosos com fragilidade muscular ou pessoas em processo de reabilitação. Em alguns casos, também pode ser usado como complemento no esporte. Ainda assim, a avaliação prévia é indispensável. “Mas a triagem é fundamental, especialmente em pessoas com maior risco cardiovascular ou trombótico”, afirma.

Possíveis riscos

Pesquisas anteriores já demonstraram que sessões repetidas de caminhada com restrição de fluxo sanguíneo nas pernas podem melhorar o condicionamento cardiovascular e promover ganhos de força e massa muscular em idosos. No entanto, a ciência também vem analisando possíveis efeitos adversos associados ao método.

Um estudo recente publicado na revista científica Gait & Posture avaliou dez idosos, com idade média de 73 anos, que caminharam em esteira por 10 minutos, em diferentes velocidades, utilizando manguitos inflados nas duas coxas a 40% e 60% da pressão de oclusão arterial. Os resultados indicaram piora imediata da qualidade da marcha e do equilíbrio durante a caminhada com restrição de fluxo sanguíneo, sendo que as alterações foram mais acentuadas quanto maior a pressão aplicada.

De acordo com os pesquisadores, entre os fatores que podem explicar essa piora temporária estão a fadiga muscular acelerada, mudanças no feedback sensorial e proprioceptivo provocadas pela compressão do manguito, adaptações no padrão de marcha devido ao desconforto e o aumento do custo metabólico da atividade. “Tudo isso pode levar a passos mais curtos, maior oscilação lateral e menor estabilidade”, explica o preparador físico.

O estudo reforça a necessidade de cuidados rigorosos na prescrição do método, como a individualização da pressão com base na oclusão arterial, o início com intensidades mais baixas, a realização em ambiente seguro, além de triagem de riscos e monitoramento de sinais como dor intensa, dormência, alteração de cor do membro ou tontura.

Apesar dos efeitos negativos imediatos sobre o equilíbrio, os próprios autores do trabalho levantam a hipótese de que, a longo prazo, o desafio imposto pelo treinamento com restrição de fluxo sanguíneo possa gerar adaptações benéficas. “Sessões repetidas podem ajudar a melhorar força e função muscular, o que indiretamente pode reduzir o risco de quedas. Mas força não é sinônimo de equilíbrio. Para isso, é essencial combinar a técnica com treino específico de equilíbrio, coordenação e potência”, pondera Martins.

O especialista reforça que o método não deve ser reproduzido sem orientação profissional. Considerado seguro quando bem aplicado, o treinamento com restrição de fluxo sanguíneo exige supervisão adequada, progressão gradual e controle rigoroso da pressão. “É uma ferramenta promissora, mas que exige dose, contexto e segurança”, conclui.

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Exercicios