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Nauan Sacramento
Publicado em 22 de março de 2026 às 08:00
O envelhecimento não precisa ser sinônimo de fragilidade. Para o educador físico e personal trainer Bruno Neves, a musculação é a chave para a longevidade funcional e deve ser encarada como uma necessidade básica de saúde. "Não existe idade máxima. Atendo pessoas de 80 ou 90 anos que recuperaram a autonomia que achavam perdida com poucas semanas de treino", afirma o especialista. Segundo ele, o foco principal transcende a estética, priorizando a capacidade de realizar tarefas diárias. >
"O objetivo é que o idoso consiga levantar da cadeira, subir escadas e caminhar na rua sem medo de cair ou de falhar fisicamente", explica Neves. Ele reforça que o impacto maior está na funcionalidade e na manutenção da independência.>
As quedas são a maior preocupação nesta faixa etária devido ao risco de hospitalização e cirurgias complexas. Para evitar esse cenário, o treinador defende o fortalecimento muscular e ósseo de forma integrada.>
"A musculação é, possivelmente, o melhor remédio contra a osteoporose. Ela estimula a densidade mineral óssea e reduz drasticamente o risco de fraturas", enfatiza. No entanto, ele alerta que o processo exige seriedade e acompanhamento.>
"Começamos leve, com técnica perfeita, mas buscamos sempre a progressão de carga. Idoso não é de vidro; ele precisa de estímulo constante para ficar forte e protegido", pontua o profissional.>
Um diferencial importante no treinamento para idosos é o foco em exercícios multiarticulares. Bruno destaca que fortalecer os membros inferiores é vital para a sustentação e para evitar o centro cirúrgico.>
"Priorizamos movimentos que simulam a vida real, trabalhando equilíbrio e coordenação de forma conjunta. Se as pernas estão fortes e o core está estável, o risco de um desequilíbrio virar uma queda grave diminui", detalha.>
A segurança, porém, é o pilar que sustenta todo o programa. O protocolo exige uma avaliação médica e funcional rigorosa antes do primeiro levantamento de peso, especialmente para quem convive com doenças crônicas.>
"Analisamos o uso de medicamentos e limitações articulares. Não se trata apenas de 'puxar ferro', mas de entender como o corpo responde ao esforço", esclarece Neves sobre a necessidade de um olhar clínico. A integração entre o médico, o educador físico e o nutricionista é o que garante resultados sem riscos. "O plano alimentar é o combustível. Sem uma boa nutrição, o idoso não tem substrato para recuperar a musculatura", adiciona.>
Para os hipertensos, o especialista traz um dado encorajador: a musculação auxilia no controle arterial através da liberação de óxido nítrico, um potente vasodilatador natural presente na corrente sanguínea.>
"Monitoramos a pressão antes, durante e depois. Uma instrução vital é nunca prender a respiração no esforço, a chamada manobra de Valsalva, para evitar picos pressóricos perigosos", orienta o personal.>
Nesses casos, a preferência inicial é por um volume maior de repetições com cargas moderadas. A ideia é adaptar o sistema cardiovascular gradualmente antes de impor desafios de força máxima. A organização da rotina também é determinante. O recomendado é que a prática ocorra de duas a três vezes por semana, respeitando sempre um intervalo de pelo menos 48 horas para a recuperação total.>
"O descanso é onde o ganho de força acontece. Muitos chegam ansiosos querendo treinar todo dia, mas o corpo precisa de tempo para processar o estímulo e reconstruir as fibras", comenta Bruno.>
Ao final, o impacto da musculação transborda para o aspecto psicológico. Ao perceberem que são capazes de realizar tarefas que antes evitavam, os alunos recuperam a autoestima e o bem-estar mental.>
"Com o treinamento adequado, transformamos a saúde física e mental, devolvendo ao idoso o direito de ser independente e de transitar pelo mundo com total segurança", finaliza o especialista.>