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Carol Neves
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 10:49
Mais de uma centena de pessoas precisou ser isolada na Índia após a confirmação de um novo surto do vírus Nipah, patógeno considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu potencial epidêmico e elevada taxa de mortalidade. Ao todo, cerca de 110 indivíduos foram colocados em quarentena. >
A medida foi adotada depois que dois profissionais de saúde receberam atendimento no início de janeiro, após contraírem o vírus. O Nipah pode provocar infecções respiratórias agudas e encefalite - inflamação do cérebro - e não conta, até o momento, com vacina ou tratamento específico.>
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Tata-se de um vírus extremamente agressivo, sobretudo quando atinge o sistema nervoso central. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, dor no corpo e febre, evoluindo depois para problemas neurológicos. >
No Brasil, o cenário é considerado mais tranquilo, já que a América Latina não faz parte do habitat natural desses animais.>
Como ocorre a transmissão>
De acordo com a OMS, o Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais - como morcegos frugívoros e porcos - para seres humanos. A infecção também pode ocorrer por meio do consumo de alimentos contaminados e pelo contato direto com pessoas infectadas.>
Uma vez no organismo, o vírus compromete o sistema respiratório e o sistema nervoso central.>
Sintomas mais comuns>
Nem todos os infectados desenvolvem sinais evidentes, mas parte dos pacientes pode apresentar:>
Sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça, dores musculares, fadiga e tontura;>
Dificuldade para respirar;>
Encefalite, com confusão mental, desorientação, sonolência e problemas neurológicos, incluindo convulsões.>
Nos quadros mais graves, a progressão rápida da doença pode levar ao coma e à morte. Sobreviventes também podem ficar com sequelas neurológicas de longo prazo.>
Diagnóstico>
A identificação da infecção leva em conta o histórico clínico nas fases aguda e de convalescença. Os exames mais utilizados são a reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR), feita a partir de fluidos corporais, e a detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático (ELISA).>
Também podem ser empregados testes de PCR convencional e o isolamento do vírus em cultura de células.>
Letalidade elevada>
A taxa de mortalidade do vírus Nipah pode chegar a 70%, em grande parte porque não existe medicamento ou vacina capaz de combater a infecção. O tratamento disponível é apenas de suporte, voltado ao alívio dos sintomas.>
O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde então, o país não registrou novos episódios.>
Em 2001, a doença foi detectada em Bangladesh, onde surtos quase anuais passaram a ser registrados.>
A Índia enfrentou seu primeiro - e mais grave - surto em 2018, na cidade de Calecute, quando 17 dos 18 casos confirmados resultaram em morte. Em 2019, um paciente infectado no distrito de Ernakulam se recuperou. Já em 2021, um menino de 12 anos morreu após ser infectado na vila de Chathamangalam.>
Especialistas apontam que a perda de habitat natural tem aproximado animais silvestres dos humanos, facilitando a transmissão do vírus. Segundo a OMS, outras regiões também podem estar sob risco, já que o Nipah foi identificado em reservatórios naturais conhecidos, como morcegos do gênero Pteropus, além de outras espécies encontradas em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.>