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Do traço simples ao Patrimônio Mundial: Brasília completa 66 anos como o maior ícone do modernismo

Neste 21 de abril, a capital federal comemora mais um aniversário e reafirma a genialidade de Lúcio Costa, a arte de Oscar Niemeyer e a ousadia de JK.

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 21 de abril de 2026 às 08:17

O croqui original de Lúcio Costa, que acompanhou o relatório vencedor de 1957, já traçava a cruz primordial que daria forma ao Plano Piloto e organizaria os Três Poderes da República.
Brasília celebra 66 anos como o maior ícone do modernismo Crédito: Arquivo Público do Distrito Federal/Fundo Novacap

No dia 21 de abril de 1960, o Brasil assistia a um dos maiores feitos da sua história: a inauguração de uma capital erguida do zero no coração do país. Agora, ao completar 66 anos, esse marco do urbanismo celebra não apenas sua função administrativa, mas a permanência de um projeto que desafiou o impossível.

Tudo começou com uma inscrição de última hora em um concurso nacional, onde o arquiteto Lúcio Costa entregou um relatório de apenas 24 páginas com desenhos feitos à mão. O que hoje o mundo admira como o traçado de um avião nasceu, segundo o autor, do gesto primário de quem assinala um lugar, dois eixos que se cruzam, o sinal da cruz.

De traço simples a Patrimônio Mundial: Brasília celebra 66 anos como o maior ícone do modernismo por Wikimedia commons

A meta de JK e o acaso das "asas"

Se Lúcio Costa foi a mente e Oscar Niemeyer a mão, Juscelino Kubitschek foi o motor de todo esse processo. A transferência da capital era a "meta-síntese" do seu plano de metas, o símbolo máximo de um Brasil que queria crescer "50 anos em 5". JK não queria apenas uma cidade; ele precisava de um marco que integrasse o interior do país. Foi a sua insistência política e os prazos rigorosos que obrigaram a construção a ser concluída em tempo recorde.

Um dos fatos mais curiosos sobre o desenho da cidade é que o formato de aeroplano não foi planejado intencionalmente. Ao adaptar o traçado original ao relevo inclinado e às curvas do terreno, Lúcio Costa precisou arquear um dos eixos para seguir a topografia e garantir o escoamento das águas. Foi essa necessidade técnica que deu à capital o seu perfil icônico de pássaro em voo, dividindo o Plano Piloto nas famosas Asas Sul e Norte.

A utopia da vida suspensa

O conceito de morar na capital foi uma das maiores inovações do projeto. Nas Superquadras, Lúcio Costa idealizou o equilíbrio entre o urbano e o rural, com o lema de "um pouco de cidade no campo e um pouco de campo na cidade". Os prédios, suspensos sobre pilotis, permitem que o pedestre caminhe livremente por baixo das moradias, sem a barreira de muros ou cercas, sempre cercado por densas cortinas de árvores.

Essas unidades de vizinhança foram projetadas para serem autossuficientes, com escolas, clubes e igrejas integrados ao cotidiano. No entanto, o crescimento da região superou as projeções. Planejada originalmente para 500 mil habitantes, a área viu sua população explodir, gerando núcleos urbanos que hoje abrigam a maior parte dos moradores do Distrito Federal.

Um museu vivo que resiste ao tempo

A construção recorde, feita em apenas quatro anos por cerca de 60 mil operários, os candangos, que JK visitava frequentemente para manter o ânimo das obras, deixou um legado tão preservado que, em 1987, a Unesco tombou o Plano Piloto como Patrimônio Cultural da Humanidade. Foi a primeira cidade moderna a receber esse título, reconhecida pela organização de seus setores e pela escala monumental.

Ao celebrar 66 anos, o desafio é conciliar o rigor histórico do projeto original com as demandas de uma metrópole de mais de 3,1 milhões de habitantes. Entre as "tesourinhas" e os eixos monumentais, o local permanece como um testemunho da capacidade brasileira de inventar o próprio futuro. Mais do que uma sede de governo, a cidade é o memorial vivo do traço de Costa e do sonho de JK que mudaram para sempre a geografia do país.

Tags:

Governo Federal Brasília