Empresários avaliam prejuízo causado pelo Centro de Convenções

salvador
12.10.2017, 08:30:00
Atualizado: 12.10.2017, 08:43:27

Empresários avaliam prejuízo causado pelo Centro de Convenções

A Salvador Destination fez um balanço dos três anos de ações desenvolvidas na capital

Salvador teve 68 eventos de pequeno porte nos hotéis da cidade nos últimos três anos, mas esse número poderia ser duas vezes maior se o Centro de Convenções da Bahia (CCB) estivesse funcionando. Este foi o balanço apresentado nesta quarta-feira (11) pela Salvador Destination, em evento realizado no Hotel Sheraton, no Campo Grande, que reuniu empresários do setor do turismo e gestores públicos do estado.

Que a cidade tem potencial turístico ninguém duvida, mas o trade empresarial baiano tem enfrentado duros obstáculos para fazer os negócios acontecerem. No balanço apresentado ontem ficou evidente que o equipamento do governo do estado faz muita falta ao setor.

Segundo o presidente da instituição, Paulo Gaudenzi, desde que a Salvador Destination foi criada, em novembro de 2014, algumas estratégias foram adotadas para driblar os obstáculos. A primeira delas foi identificar empresas responsáveis pela realização de eventos no Brasil e convidá-las para conhecer os atrativos da capital baiana, apresentando os espaços disponíveis para eventos, a cultura e a gastronomia local.

Os empresários se reuniram para o balanço das ações (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

“Nós mostramos para eles a nossa cadeia produtiva da atividade de eventos, quem somos nós, e a nossa capacidade de realizar. As nossas empresas de receptivo, os nossos hotéis, as empresas de organização e de equipamentos para eventos. Não apenas falamos, trouxemos eles até aqui para conhecer nossa capacidade e apontamos as melhorias da cidade”, afirmou.

A tática deu certo para 68 empresas, que optaram por realizar seus eventos na capital baiana, mas os empresários lembraram que, quando o Centro de Convenções estava em funcionamento, o espaço recebia cerca de dois grandes eventos a cada mês, o que daria mais 72 eventos a cada ano. Os 68 realizados são classificados como de pequeno e médio portes por comportar no máximo 1,5 mil pessoas, enquanto o CCB recebia até 8 mil expectadores por evento. O trade também conseguiu identificar cerca de 100 novos eventos que podem ser realizados em Salvador e está negociando com os produtores.

Segundo Gaudenzi, nos últimos três anos, a cidade recebeu 44 mil turistas, teve 132 mil pernoites e o trade investiu R$ 128 milhões na economia local e os números poderiam ser ainda melhores com a ajuda do Centro de Convenções.

Prefeito ACM Neto durante o evento (Foto: Betto Jr./ CORREIO)

Ações de incentivo
O presidente da Salvador Destination destacou também a importância das ações da prefeitura na capital para ajudar a atrair mais turistas. Salvador recebe, em média, 8 milhões de visitantes todos os anos. A maior parte das visitas se concentra no Verão e é motivada pelo turismo de lazer. São pessoas e famílias que vêm até a cidade para conhecer as praias, os fortes, o Centro Histórico e outros pontos turísticos. Nesse sentido, ele apontou a importância da requalificação desses espaços públicos. O prefeito ACM Neto esteve no evento de ontem, e também destacou a parceria entre o município e o trade.

“Esse é mais um ano para celebrarmos a parceria da prefeitura com a Salvador Destination. Os resultados são frutos de um trabalho organizado e bem planejado. A gente sabe que cada centavo dos recursos públicos que são disponibilizados para as ações tem um efeito multiplicador e um resultado extraordinário para a promoção da nossa cidade”, disse Neto.

Secretário de Cultura e o presidente da Salvador Destination (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Novidades
Os números tiveram uma melhora este ano. Segundo Gaudenzi, há três anos a média anual de ocupação hoteleira girava em torno de 53%. Em 2017, até outubro, o número está no 55%, e o Verão, período considerado de alta estação, ainda não começou. Ele acredita que os dados apontam uma melhora no quadro, mas a situação ainda não é considerada boa. O investimento em marketing digital é uma das apostas do trade para impulsionar o turismo na capital. Vídeos sobre Salvador, mapas interativos sobre o Centro Histórico, e ações nas redes sociais sãos as novidades do setor para o público.

Os empresários também estão ansiosos com a nova administração do aeroporto de Salvador. A empresa francesa deve assumir o comando do terminal no próximo ano. Apesar de acreditar que as mudanças implantadas terão impacto direto sobre o setor turístico, o presidente da Salvador Destination preferiu não especular. “Não conheço os projetos, vamos aguardar para ver o que eles vão fazer”, afirmou.

Paulo Gaudenzi acredita que o cenário vai melhorar (Foto: Betto Jr./ CORREIO)

Centro de Convenções
Mais de R$ 1,4 bilhão perdidos nos próximos três anos. Essa é a estimativa de prejuízo que os empresários de Salvador calcularam com o fechamento do Centro de Convenções da Bahia. Quando o espaço estava em funcionamento, recebia, em média, dois eventos de grande porte a cada mês, com média de 3,5 mil visitantes.

Com o espaço fechado, o trade turístico estima perder 252 mil turistas, 756 mil pernoites, deixando de injetar R$ 726 milhões na economia local. O presidente da Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHa), Silvio Pessoa, lamentou o ocorrido e afirmou que, desde 2012, o setor não tem atingido o ponto de equilíbrio de 60% de ocupação nos hotéis de médio e grande porte.

“Esse ano está sendo relativamente melhor que o ano passado, mas ainda está muito abaixo da época áurea. A Salvador Destination veio suprir uma lacuna na captação de congressos, feiras e eventos, mas com o abandono e falta de manutenção preventiva do Centro de Convenções, nós perdemos eventos de grande porte. Temos mais de 400 hotéis, 40 mil quartos em Salvador e quase a metade deles está vazia”, disse.

Com quase 40 anos de inaugurado, o Centro de Convenções estava fechado para obras de recuperação, quando parte da estrutura desabou em setembro de 2016. O presidente da Salvador Destination, Paulo Guadenzi lembrou que o equipamento já estava apresentando problemas antes de ser fechado definitivamente. Em 2013, um congresso foi interrompido por causa de problemas na estrutura do prédio.

“Logo após a suspenção do Congresso de Ginecologia e Obstetrícia, em novembro de 2013, por falta de manutenção do Centro de Convenções, tivemos, em seguida, o cancelamento de dez eventos médicos que estavam previstos para ocorrer em Salvador”, afirmou.

A prefeitura criou um sistema de avaliação para o turísmo (Foto: Betto Jr/ CORREIO)

Selo de qualidade
A prefeitura anunciou novidades na área turística para o próximo ano. Segundo o Secretário de Cultura, Cláudio Tinoco, será criado um sistema de avaliação do desempenho das empresas de turismo da capital. Na prática, a ferramenta vai ajudar o turista que estiver planejando a viagem para Salvador a identificar os estabelecimentos com selo de qualidade.

“O Qualisalvador é um programa de qualificação que será criado por meio de um sistema de avaliação dos nossos equipamentos turísticos. É como se fosse um selo ou certificado de desempenho desses estabelecimentos empresarias e comerciais do turismo na cidade, além da capacitação profissional”, contou.

O objetivo é estimular os empresários a melhorarem a qualidade dos serviços e atendimento prestados, e ao mesmo tempo ajudar os visitantes a encontrarem as melhores empresas quanto ao atendimento. O lançamento do programa está previsto para ocorrer em 2018. O secretário anunciou também que até o final deste mês será lançada a licitação para a requalificação da Avenida Sete de Setembro e da Praça Castro Alves. A capital baiana também vai ganhar uma agência voltada para o marketing digital. O objetivo é criar ações voltadas para as mídias sociais para divulgar Salvador como destino e atrair eventos em todo o país.