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Há 10 anos projeto do CORREIO mobiliza talentos negros pela moda e empreendedorismo

Saiba quem são as pessoas reponsáveis pela passarela mais preta do Brasil

  • Foto do(a) author(a) Luiza Gonçalves
  • Luiza Gonçalves

Publicado em 27 de outubro de 2024 às 05:00

Há 10 anos,  projeto do Jornal CORREIO mobiliza talentos negros pela moda e empreendedorismo na Bahia
Há 10 anos, projeto do Jornal CORREIO mobiliza talentos negros pela moda e empreendedorismo na Bahia Crédito: CORREIO/ Nara Gentil

Em 2015, o ex-diretor executivo do CORREIO, Sérgio Costa (1961-2016), trouxe uma provocação para a equipe do jornal em uma reunião de planejamento: que tal criar um projeto que celebrasse a negritude soteropolitana e combatesse o racismo por meio da arte, cultura e empreendedorismo? Afinal, todo mundo tem sua semana da moda e a do CORREIO tinha que ser afro. Pouco mais de um mês depois nasceu a primeira edição do Afro Fashion Day, uma iniciativa do jornal, que reunia música, estética, moda e empreendedorismo negro em um desfile realizado no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, na Praça da Cruz Caída. O projeto não só se firmaria como a passarela mais negra do país, mas também como ferramenta de transformação política e social.

Em 2024, o AFD celebra sua 10ª edição, com um evento histórico no dia 1º de novembro no Largo do Campo Grande. O desfile, que traz como tema Música – Resgatando Raízes e Elevando Vozes: a Música que Ecoa Histórias e Inspira o Futuro, será dividido em três blocos: Ancestral, Festivo e Contemporâneo. Faltando menos de uma semana para o evento, com modelos escolhidos, maquiagem definida, montagem em andamento e estilistas dando os últimos retoques nos looks, a edição promete marcar a memória dos baianos e abrir com excelência o Novembro Negro em Salvador.

São dez anos de trabalho em prol da afrodiversidade, protagonismo preto, visibilidade, economia circular, identidade e pertencimento. Ao todo, mais de 574 modelos e convidados, 67 marcas, entre patrocinadores, apoiadores e parceiros, e 340 estilistas e criadores já integraram o ADF. Um esforço coletivo, estrategicamente coordenado, que atingiu cerca de cem mil pessoas de público e onze milhões de contas nas redes sociais. Um movimento que ultrapassa o fazer jornalístico soteropolitano e advoga pelos talentos negros e pela transformação social.

Organização

A realização do AFD fica a cargo do Estúdio CORREIO, equipe que tem como objetivo desenvolver projetos especiais, explorando novas formas de comunicação e engajamento com a comunidade, sempre com foco em conteúdos que valorizem a cultura e diversidade de Salvador. “O Afro Fashion Day nasceu desse compromisso, da vontade de celebrar a influência afro na moda. Focamos na celebração do povo da Bahia, com a intenção de dar visibilidade e protagonismo a profissionais negros em diversas áreas do setor”, afirma Vanessa Magalhães.

Coordenadora de Projetos, Comunicação e Marketing do jornal, ela explica que, ao longo da preparação do AFD, o Estúdio acompanha todas as etapas, desde a concepção do tema até a desmontagem da passarela. Vanessa salienta que as atuações vão além do dia do evento: “Enxergamos o Afro como um movimento contínuo. Ao longo do ano, o Estúdio CORREIO investe em ações que mantém viva a representatividade e a inclusão na moda, com seletivas de modelos, concursos culturais na área da beleza e moda, e conteúdos editoriais que destacam talentos e abordam temas relevantes como o afroempreendedorismo. “Nosso intuito é criar uma plataforma perene que impulsione carreiras e inspire mudanças para a sociedade”, garante.

O pensamento é reforçado por Linda Bezerra, editora-chefe do CORREIO: “O Afro Fashion Day não é apenas um desfile de moda, é um projeto que coloca em evidência talentos negros - pessoas que desfilam, estilistas ou produtores de moda -, dentro de uma produção com um olhar afrodescendente. O desfile é apenas um aspecto desse grande projeto do jornal, que é dar voz aos talentos negros.” Ela acrescenta que o projeto faz parte de um compromisso maior com a representatividade e a valorização da cultura afro-brasileira.

Linda cita, por exemplo, a seção CORREIO Afro, presente no site do jornal, que destaca o protagonismo negro em diversas áreas, como educação, cultura e pesquisa ao longo do ano. E argumenta que a grandeza do AFD está na união entre todas as áreas do jornal e na diversidade de conteúdo: “A gente documenta todo o fazer do Afro Fashion Day com áudios, vídeos, fotos, cadernos especiais. O negro é protagonista da capa o tempo inteiro nesse processo. O projeto só é completo porque tem conteúdo, e o conteúdo é dar visibilidade a todo protagonismo negro”, enfatiza.

Uma das trajetórias que resume a capacidade de transformação que o AFD provoca, e que marca profundamente a jornalista até hoje, foi a do modelo Denilson Evangelista na edição de 2022. O jovem foi classificado para a etapa final da seletiva de bairros, que escolhe a cada ano novos talentos em bairros periféricos para integrar o desfile, e quase desistiu da final por não ter o dinheiro do ônibus para comparecer. Com ajuda da produção, ele chegou ao local e garantiu sua vaga no Afro daquele ano, sem deixar transparecer a dificuldade para os jurados - entre eles, a própria Linda.

“Sem saber dessa história, escolhemos ele para estampar a capa do jornal daquele dia. Por isso, digo que o AFD é um projeto de conteúdo e a gente sempre conta a história das pessoas que fazem parte dele, seja um estilista ou um modelo. Denilson ficou muito surpreso quando se viu na capa do jornal. E quando eu soube da história, fiquei muito emocionada”, diz Linda Bezerra.

Capa do jornal CORREIO em novembro de 2022 com o jovem modelo Denilson Evangelista
Capa do jornal CORREIO em novembro de 2022 com o jovem modelo Denilson Evangelista Crédito: Reprodução/ CORREIO

“Acho que o principal legado que deixamos para Salvador é a valorização da identidade negra. Isso é o que reforçamos todos os anos ao celebrar a estética afro-brasileira. Promover uma plataforma de moda afro, de beleza negra e de empoderamento cultural é o nosso foco. Por isso, reafirmamos constantemente que somos, de fato, a passarela mais preta do Brasil”, defende Nelson Pereira, Analista de Marketing e Projetos do Estúdio CORREIO.

Esse legado se expande para a inclusão, representatividade e fomento à cultura e à economia, destaca Nelson. Ele acrescenta que, para quem se dedica ao projeto anualmente, vivenciar o Afro Fashion Day é algo de grande significado, tanto profissional quanto pessoal: “É um espaço gigantesco de empoderamento e aprendizado constante. Para mim, que gerencio o projeto, é uma excelente oportunidade de influenciar positivamente a indústria, desafiando os padrões estabelecidos pela sociedade e promovendo a diversidade”.

Desfile

Produtor e designer responsável pela Coordenação de Moda e Styling do Afro Fashion Day desde 2014, Fagner Bispo conta que a equipe do evento começa a fazer reuniões meses antes do evento, em janeiro. Ele acompanha o processo de criação ao lado do diretor artístico Gil Alves, que se uniu ao projeto em 2019. A definição do tema e divisão dos blocos é feita em conjunto, sempre pautada pelas temáticas da negritude: “Para a perpetuação do projeto, eu acho que é importante trabalhar com esses temas, que têm relevância para a sociedade e que fazem as pessoas lembrarem de onde viemos e para onde estamos indo”, enfatiza Fagner.

Na sequência, o produtor se concentra nas marcas, designers e modelos; e Gil Alves foca nas movimentações artísticas que vão costurar os blocos do tema principal. No entanto, não há separações definitivas: “Eu acompanho o processo das etapas de seleção, porque isso me dá material artístico, cênico, dos corpos que estarão em cena, entregando as criações dos estilistas soteropolitanos e fazendo o link com as performances que eu vou trazer”, diz Gil.

A novidade do AFD 2024 no time criativo é Thiago Pugah que assume a direção musical do evento pela primeira vez. Animado com o convite, o produtor musical se diz pronto para o desafio de pensar uma identidade sonora que evoque a ancestralidade e a criatividade digna da passarela mais preta do Brasil. “É uma honra fazer parte do time do Afro Fashion Day, sabendo que, além de trabalhar com grandes profissionais, estou cercado por pessoas que se preocupam genuinamente com o próximo”, garante.

Para Fagner, hoje, o Afro é o projeto mais importante de sua trajetória profissional, que lhe fez crescer pessoalmente. Ele destaca que, ao longo de dez anos, teve a oportunidade de transformar vidas e contribuir para a visibilidade de talentos que começaram no AFD. O estilista vê o projeto como um espaço essencial para a representatividade negra, promovendo inclusão e oferecendo oportunidades a corpos negros em uma indústria que frequentemente os marginaliza: “O maior legado que o Afro pode deixar para a moda brasileira é justamente oportunizar corpos negros a estar em um lugar de destaque para romper com essa estrutura racista e mostrar a beleza e o poder do povo negro.”

Gil Alves compartilha uma visão semelhante, reconhecendo o evento como uma plataforma que celebra a estética, a moda e a cultura afro. Para ele, a conexão pessoal com o projeto se alinha diretamente à sua missão de promover a inclusão das comunidades negras de Salvador. Gil vê o AFD como um espaço de inovação, onde moda, música e performance se unem para fortalecer o diálogo sobre diversidade e resistência. “O Afro Fashion Day me permite explorar novas formas de expressão artística. É uma vitrine de talentos que alinha a estética afro à contemporaneidade”, destaca Gil, reforçando o impacto do projeto tanto para sua trajetória criativa quanto para o legado cultural da cidade.

A edição do AFD que mais marcou

Fagner Bispo - “Tivemos duas edições que me marcaram bastante. A segunda edição, na Praça da Cruz Caída, quando choveu o dia inteiro. E aí chegou a hora do desfile, ficamos preocupados se ia ter ou não, e, apesar da chuva, ninguém foi embora, a praça estava lotada. E o de 2020, durante a pandemia, que a gente não pode fazer presencial e gravamos um Fashion Film em locais de Salvador. No primeiro dia, a gente foi gravar lá no Parque São Bartolomeu. No final da gravação, começou um tiroteio na região e foi loucura, a gente se escondendo lá pelo mato, mas deu tudo certo. E aí a moral de toda essa história é que, apesar das adversidades, de tempo, da vida, o Afro nunca deixa de acontecer”.

Segunda edição do Afro Fashion Day em 2016
Segunda edição do Afro Fashion Day em 2016 Crédito: Arquivo Correio*/Arisson Marinho

Vanessa Magalhães - “Cada edição do Afro Fashion Day tem um lugar especial em meu coração, mas destaco um momento que pude ver nascer o legado que deixamos para a sociedade. Em um dia de gravação de campanha, vi um scouter (olheiro de moda) abordar uma modelo que veio a partir de uma seletiva de bairro. Ali, eu percebi o impacto que o AFD estava tendo na vida daquela garota e dos seus familiares. Entendi que o projeto não age somente como uma vitrine de moda, mas como um agente de transformação social”.

Seletivas de bairro do Afro Fashion Day
Seletivas de bairro do Afro Fashion Day Crédito: Arquivo Correio*/Nara Gentil

Gil Alves - “A edição que me marcou, com certeza, foi a de 2019, por vários motivos. Primeiro porque foi o primeiro contato que eu tive com o projeto, fazendo roteiros e direção. Há muito tempo eu não fazia eventos abertos no Centro Histórico, então, teve essa experiência também de voltar a fazer eventos sem ser em praça fechada, sem ingressos vendidos, um evento aberto, gratuito, para toda a comunidade que quisesse estar presente lá. Mas teve algo que chamou muita atenção, que foi o fato de estarmos todos no mesmo lugar. Não tinha uma passarela que elevava os modelos, um palco que elevava os blocos afro, estava todo mundo andando no chão, pisando no chão. E a emoção no olhar. O público presente, a entrada dos blocos, a entrada de cada modelo com adereços e figurinos, representando a história que foi defendida para ser entregue naquela edição dos blocos afro”.

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Desfile do Afro Fashion Day 2019 com o tema Blocos Afro Crédito: Arquivo Correio*/Marina Silva

Linda Bezerra - “Um momento do Afro Fa“Um momento do Afro Fashion Day que eu destaco aconteceu durante a pandemia, quando a gente fez o desfile daquele ano inspirado no movimento Black Power e que foi realizado na Estação da Lapa. A gente foi lá e ocupou a Estação da Lapa, fizemos um Afro Fashion Filme que traduz muito o que é esse movimento, porque é isso: o Afro Fashion Day é um movimento”.

Nelson Pereira - “Eu costumo dizer que minha edição preferida é a de 2021, o que é muito paradoxal. Porque eu adoro quando a edição tem público, acho que o público ele dá o tom, ele dá o calor do negócio, e na edição de 2021 a gente estava num processo pandêmico. Mas, acho que tem um misto de coisas aí. Foi o meu primeiro Afro Fashion Day e eu gosto muito de termos realizado uma première para lançar o filme do desfile, fizemos uma narrativa para contar essa história. É muito vivo em mim a história dessa edição, lembro da trilha, dos modelos, da operação, da concepção, como foi o processo de planejamento, as reuniões. Tenho um carinho gigante pelas outras edições, mas a de 2021 é a que tem meu coração”.

Gravação na lapa do Afro Fashion Day 2021
Gravação na lapa do Afro Fashion Day 2021 Crédito: Arquivo Correio*/Nara Gentil

Quem faz o AFD

Time Estudio CORREIO

Direção: Renata Correia - Gerência: Luciana Gomes - Coordenação Geral: Vanessa Magalhães - Analista de Marketing e Projetos: Nelson Pereira - Editora de Conteúdo: Gabriela Cruz - Jornalista: Victor Lahiri - Analista de Comunicação: Monique Duarte - Designer Gráfico: Caic Costa- Estagiária: Erica Santos

Time Projeto AFD 2024

Diretor Artístico: Gil Alves - Diretor Musical: Thiago Pugah - Produção Executiva: Erica Telles - Coordenação de Moda e Styling: Fagner Bispo - Assistente de Styling: Filipe Dias e Isabela Nascimento - Maquiador responsável pela Beleza do desfile: Dino Neto e Roma Aragão - Cenografia: GMF Arquitetos

Time Redação CORREIO

Editoria Chefe: Linda Bezerra - Editor de Mídia e Estratégia Digital: Jorge Gauthier - Editora de Cultura: Doris Miranda - Estagiária de cultura: Luiza Gonçalves - Equipe de mídias: Eduardo Bastos, Arthur Leal, Gabriel Cerqueira e Elaine Alves - Editor de fechamento: Miro Palma - Editor do site: Wladimir Pinheiro

O Afro Fashion Day é um projeto do jornal Correio com patrocínio da Avon e Bracell, apoio CAIXA, Shopping Barra, Salvador Bahia Airport e Wilson Sons e apoio institucional do Sebrae e Prefeitura Municipal de Salvador.

*Com orientação do editor Jorge Gauthier