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Murilo Gitel
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 15:11
O mercado de trabalho nunca passou por tantas transformações. Se antes cursos de datilografia, da língua inglesa ou o domínio do pacote Office eram diferenciais para conquistar uma vaga, hoje, são a Inteligência Artificial (IA), a criação de conteúdo digital e a capacidade de adaptação às novas tecnologias que ditam o ritmo da economia. >
Foi neste contexto que especialistas se reuniram no segundo painel da 16ª edição do Agenda Bahia, cujo tema foi “O Futuro do Trabalho: competências, tecnologia e pessoas na Nova Economia”. A mediação ficou a cargo do presidente da Saltur e curador do evento Isaac Edington. >
Para o publicitário Cleber Paradela, vice-presidente de Inovação e Conteúdo da agência DM9, a IA é uma ferramenta decisiva para impulsionar a economia criativa baiana. Ele destacou que a Bahia reúne elementos únicos para se tornar protagonista no setor, desde que consiga alinhar tecnologia, diversidade e inclusão.>
“Estou fazendo um trabalho inteiro com a inteligência artificial como aliada para aumentar nossa capacidade, ter mais produtividade e agilizar processos. A Bahia tem um potencial criativo gigantesco, lembrando que economia criativa também é indústria”, afirmou Paradela.>
O CEO da Community Creators Academy, Fábio Duarte, ressaltou o papel estratégico do marketing digital e da criação de conteúdo para qualquer profissão nos dias de hoje. Fundador do FitDance, Duarte defendeu que a produção digital e o domínio da IA se tornaram novas skills (habilidades) essenciais para profissionais e empresas.>
Sobre o futuro, o executivo foi enfático ao afirmar que o mercado da creator economy é uma das grandes apostas econômicas da próxima década. Para ele, compreender esse novo ecossistema de maneira profissional é imprescindível. “Se você não entende isso de maneira profissional, seja um estado, uma empresa ou uma pessoa, você perde a oportunidade de alavancar o negócio. O live shopping e o social commerce são grandes tendências, pois todo o mundo está ali para consumir algo”, observou Duarte. >
As mudanças no mundo do trabalho também exigem atualização da legislação. O advogado Marcelo Sena, sócio da Mosello Advocacia, defendeu maior participação das entidades empresariais no debate público e nos processos regulatórios que estão em curso.>
“Confederações e associações precisam estar mais presentes no processo legislativo e judicial. Embora tenhamos criado muito conteúdo normativo, ele ainda não é tão útil quanto deveria. O processo regulatório pode ser muito melhor”, apontou Sena.>
O sócio da Mosello Advocacia lembrou também o impacto da atuação de criadores de conteúdo no debate político, como o vídeo recente do youtuber Felca, que viralizou ao denunciar casos de adultização nas redes e contribuiu para a votação de um projeto de lei que protege crianças e adolescentes em ambientes digitais.>
O mediador do painel, Isaac Edington, reforçou a importância da adaptação às mudanças geracionais na comunicação e na tecnologia. Para ele, a capacidade de reinvenção é determinante para navegar no novo cenário. “Estamos assistindo a algo que a geração anterior não viveu [do analógico para o digital]. Temos que encarar essa transição com a visão de como podemos nos reinventar.” >
Os participantes também alertaram para a necessidade de equilibrar o uso de ferramentas digitais com questões de ética, inclusão e capacitação. Houve consenso de que o Brasil ainda precisa avançar na preparação de sua força de trabalho para não se tornar apenas consumidor de tecnologia, mas também protagonista na criação de soluções.>
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