Daniela e Malu Verçosa Mercury: estatuto da nossa família

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Publicado em 21 de outubro de 2015 às 07:32

- Atualizado há 10 meses

Bela (5 anos): —  Mãe, para onde vocês vão viajar agora?Mãe Malu: — Vamos para Belo Horizonte!Bela: — Você e mamãe Dam Dam vão fazer lá o quê?Mãe Malu: — Vamos para uma conferência da ONU.Bela: — O que é ONU?Mãe Malu (já tensa por ter que explicar algo tão difícil para uma menina tão pequena):

— A ONU é a Organização das Nações Unidas. Várias pessoas de vários países diferentes se unem para lutar para que os negros e índios não sejam maltratados por causa da cor da pele, para que os pobres sejam tratados da mesma forma que os ricos, para que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, para que famílias como as nossas que têm duas mães ou dois pais ou dois avós sejam tratadas da mesma forma que uma família formada por pai, mãe e filhos. (… eu na expectativa pela reação dela…). Depois de 10 longos segundos de reflexão, Bela foi certeira:

— Ah, já sei! Vocês vão lá lutar para que todo mundo seja igual.Ela tem 5 anos e já entendeu o que muitos adultos ainda não conseguiram alcançar. Tem, no íntimo dela, a família formada por duas mães e mais quatro irmãos (Gabriel, Giovana, Márcia e Ana Alice). Sabe quem são os avós por parte de mamãe Malu e por parte de mamãe Dam Dam. Ela não se sente diferente. Tem afeto, tem amor, sabe quem vai cuidar quando estiver doente, sabe quem vai dar banho, quem vai fazer o dever da escola com ela, quem vai dar bronca, quem vai brincar, quem vai levar para passear. E eu pergunto a você: o que sua família tem de diferente da nossa?

Aqui nesta casa tem amor, tem aborrecimento, tem saudade, tem disciplina, tem alegria, tem felicidade! Ah, e que felicidade!!!

E tem mais: não admitimos que um grupo retrógrado queira substituir a Constituição por uma interpretação equivocada da Bíblia Sagrada. Não admitimos perder as conquistas recentes do nosso Brasil. Casamos no civil há 2 anos e trocamos sobrenomes porque a legitimidade concedida pela lei é importante para mudar os “pré conceitos” da nossa sociedade. Nosso casamento foi um manifesto pelos direitos humanos. E exigimos respeito pela nossa família, assim como exige a mãe solteira, os tios que criam sobrinhos, os padrinhos que ganharam AFILHADOS, os filhos adotivos! Por família, entende-se ser um ambiente onde há proteção, afeto, apoio nos momentos difíceis, educação, relações de confiança, um lugar onde são passados os valores morais e sociais, as tradições e os costumes da nossa sociedade. Lá em casa tem tudo isso. E na sua? Tem tudo isso também? Se sim, ficamos felizes. Você também está dentro da nossa expectativa de família. E com relação ao tal Estatuto, não se preocupe: não há nada que dê a ele o poder de destruir o amor. Mas, claro, queremos e esperamos ser protegidos pela lei. Para isso, existe o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Judiciário brasileiro. E é da Justiça que, ultimamente, estamos nos orgulhando no nosso Brasil.* Daniela e Malu Verçosa Mercury são mães de família e embaixadoras da Campanha Livres e Iguais da ONU no mundo