Jolivaldo Freitas: meia-entrada e almoço grátis

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Publicado em 10 de outubro de 2015 às 07:31

- Atualizado há 10 meses

Os artistas brasileiros, tanto da área musical como de teatro, costumam brincar dizendo que em Salvador não existe nenhum analfabeto. Todo mundo é estudante. Basta ver nas bilheterias dos teatros e locais de shows a profusão de Carteiras de Estudantes. Tem estudante dos 8  aos 80 anos. Deduz-se, então, que - juntando-se os direitos dos idosos - só quem deve pagar inteira é bebê; mesmo assim, antes de entrar na escolinha.Artistas e produtores baianos e de todo o Brasil ficam revoltados com a situação. Com a “tradição” do meio ingresso ou “pagar meia” e sabendo que não existe almoço grátis, em Salvador, em todos os teatros, os preços são superiores a qualquer outro lugar do país. Isso porque o produtor não quer ter prejuízo, pois sabe que para colocar uma peça no palco precisa gastar com o cachê dos atores, som, luz, cenário, passagens, hospedagens, manutenção, alimentação e seguros diversos. Fazer a apresentação para empatar ou perder “em nome da arte”, nem na antiga Grécia. O dramaturgo Aristófanes tinha lá seus mecenas.Então, quando de uma peça, um espetáculo musical, de dança ou ópera (por sinal coisa raríssima por aqui), eleva-se o valor do ingresso para que o fator meia esteja dentro das projeções e da planilha de custo. Um show de qualquer estrela de primeira grandeza tem seu bilhete de inteira custando até R$ 180. Se você for assistir a um clássico infantil no Teatro Folha, em São Paulo, como Pedro e o Lobo, a inteira vai sair por R$ 30. Um espetáculo de sucesso como Beatles em Céu de Diamante, a inteira custa R$ 40.A lei governamental pretende beneficiar a faixa da baixa renda e pessoas com deficiência a eventos artísticos e culturais. Mas no meio do texto encaixou de pronto a reserva de vagas para jovens de baixa renda no transporte coletivo interestadual. A concessão da meia-entrada fica assegurada para 40% do total de ingressos dos eventos. Com isso, quem promove os espetáculos tem a obrigação de comunicar o eventual esgotamento das entradas com desconto e apresentar um relatório de vendas com indicação dos ingressos comercializados com meia-entrada.A única coisa positiva para os produtores culturais é que, sabendo que o percentual é de 40% de ingressos com desconto, tomando como base o número de assentos, poderá organizar preços adequados. Mas, você pensa que haverá diminuição no valor do ingresso? Você que é estudante e você que produz lembre-se que, conforme a lei, os estudantes terão o direito à meia-entrada mediante apresentação da Carteira de Identificação Estudantil, que seguirá um modelo nacional e poderá ser emitida por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), além de Diretórios Centrais de Estudantes e Centros Acadêmicos. O documento será renovado anualmente, com comprovação de matrícula. Mas quem garante que as carteiras não serão dadas graciosamente aos amigos ou desviadas para os sabidos. Se tem sido assim há anos! Questão cultural.

* Jolivaldo Freitas é jornalista e escritor