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Da Redação
Publicado em 26 de agosto de 2013 às 06:38
- Atualizado há 3 anos
Paulo Leandro*>
Depois de tanta luta para conquistar o direito do voto direto do sócio à presidência do Bahia, o movimento das urnas eletrônicas aponta para a carência de candidatos à altura da nação tricolor. A sensação que fica é um misto de surpresa e desalento. Então, foi pra isso que tanto se lutou para tirar a nobreza e a tirania que se encastelou no poder tricolor de Osório a “Marcelinho”?>
Falta a ousadia de permitir que jovens e anônimas lideranças se habilitem a liderar o clube, na lógica do intelectual orgânico de Antonio Gramsci. Assim como revelamos craques nas categorias de base, por que não fazer um esforço também para qualificar novíssimos candidatos a tirar o clube da Idade Média e conduzi-lo à era da revolução informacional? Com certeza, encontraremos tricolores honestos e capacitados entre o público universitário, ou mesmo nas feiras livres da cidade.>
E por que não confiar o clube a um tricolor com este perfil em vez de repetir ladainhas antigas representadas pelos atuais postulantes? Seria bom ver um destes abnegados que só querem o bem do tricolor podendo governar o clube. De preferência, um desconhecido, fora deste ambiente de falsas celebridades da crônica esportiva e da política de palácio que podem vir a se locupletar com o capital simbólico e financeiro do clube. Não se pode levianamente suspeitar da boa intenção dos candidatos, mas não se pode também negar que todos trazem vestígios e rastros de bastidores e ambientes que apontam para a permanência do Velho Aeon, em vez da tão sonhada Revolução Tricolor. >
Antes da eleição, amigos tricolores, não teria sido oportuno abrir um processo maior de discussão que pudesse revelar estes novos craques dirigentes livres dos vícios que vão manter a situação que se quer superar? Um concurso de projetos, que tal? Um super-seminário Bahia Gigante com a discussão de temas em mesas redondas? A web, cadê a utilização das redes sociais que tanto sucesso fazem na organização das comunidades no mundo contemporâneo? Este artigo, portanto, é o lamento de um jornalista habituado a conviver com os tipos consagrados no ambiente esportivo e que conhece suas tristes limitações e qualidades. E também de um pesquisador de futebol pessimista em relação a este quadro sucessório sem qualquer novidade que mereça a grandeza do Bahia. >
Parem este processo eleitoral e voltem duas casas, como naquele antigo joguinho de dado. Reorganizem esta história para conduzir a um final feliz. Repetir, pela via direta, antigos padrões de administração, apenas com o cosmético de serem de “oposição” é muito pouco, pouco mesmo, diria Geraldo José de Almeida. Para identificar a liderança que vai tirar o Bahia do antigo Testamento, é preciso coragem, ousadia, talento e certeza na mudança também de paradigma de gestão. >
De positivo, no entanto, entre outros avanços no querido clube baiano, está a determinação da turma tricolor para acabar com o vazamento da riqueza gerada pelo clube para terceiros, o que, segundo os críticos, dilapida o patrimônio tricolor. Façam uma devassa para dar nome a estes bois sanguessugas do futebol. E, na sequência, a torcida poderia exigir a devolução de parte deste patrimônio subtraído dos cofres do clube. Eis aí uma boa medida para o novo presidente, mas com este horizonte eleitoral, o habitual conchavo vai dar o tom: a carência do novo Bahia seguirá gerando a necessidade de mobilização dos tricolores rumo a um futuro digno da altura do clube.* Paulo Roberto Leandro é doutor em Cultura e Sociedade, jornalista esportivo há 30 anos e professor da Unijorge>