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A geografia do Bahia: estudo da Ufba revela onde estão os sócios do clube em Salvador

Pesquisa analisou a relação do time com a cidade e as mudanças no espaço urbano

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 05:00

Pesquisa inédita foi conduzida pelo geógrafo Ian Mesquita, que apresentou os dados em seu Trabalho de Conclusão de Curso na Ufba, em dezembro
Pesquisa inédita foi conduzida pelo geógrafo Ian Mesquita, que apresentou os dados em seu Trabalho de Conclusão de Curso na Ufba, em dezembro Crédito: Arisson Marinho

Quando o Esporte Clube Bahia foi fundado, em 1931, na Rua Carlos Gomes, talvez fosse difícil imaginar a relação que, quase um século depois, o time teria com o Centro de Salvador. No entanto, o universo de cerca de 110 mil associados da atualidade ainda dialoga diretamente com a vivência nessa região da cidade.

Esse foi um dos principais achados de uma pesquisa inédita conduzida pelo geógrafo Ian Mesquita, que apresentou os dados em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em dezembro. Orientado pelo professor Wendel Baumgartner, o estudo foi considerado inovador na área da Geografia do Esporte em todo o Brasil.

1º) Jardim Armação - 18% dos moradores são associados por Google

Além de identificar os padrões da relação histórica do clube com o Centro, Mesquita analisou desde mudanças como a tragédia da Fonte Nova, em 2007, e de que forma naquele período, clube e torcida ficaram desterritorializados, até a maneira como os dias de jogo do Bahia alteram a configuração urbana do entorno do estádio. As descobertas incluem, ainda, um perfil do quadro associativo que vai desde o número de associados por bairro até a divisão por renda.

"A ideia partiu de algo muito pessoal, por eu gostar muito de Geografia, de ser uma pessoa que pratica esportes e da paixão pelo Bahia. Nossos objetivos eram compreender o futebol como ferramenta cultural e espacial; se ele era capaz de produzir o espaço, o fluxo urbano, construir lugar e identidade e investigar o impacto que o Esporte Clube Bahia tinha na cidade", diz o geógrafo.

Apesar da relação com o Centro, o Bahia tem associados em todos os bairros da cidade. O maior percentual é no Jardim Armação, em que 18% dos moradores são sócios do clube. O bairro é seguido pela Baixa de Quintas (que tem 16%) e por Cajazeiras X (com 15% dos moradores sendo associados).

Número de sócios do Bahia por bairros de Salvador, segundo a pesquisa do geógrafo Ian Mesquita por Reprodução/Mapa elaborado pelo autor

Histórico

A pesquisa teve início ainda em 2024, com o estudo do referencial teórico que daria base ao trabalho. Até que, em julho de 2025, Mesquita teve acesso aos números dos associados, cedidos pelo Bahia, e começou a trabalhar com eles. Numa planilha, ele fez duas verificações manuais para ter padronização - já que os registros tinham, por exemplo, bairro ‘Dois de Julho’ e ‘2 de Julho’. Uma vez padronizados, foi possível identificar os padrões e mudanças.

"A gente foi percebendo que havia uma concentração maior de torcedores próximo da Fonte Nova e no Centro da cidade de modo geral. Mas quando você faz uma revisão histórica, entende que o Bahia nasce no centro de Salvador. De 1931 até 2026, com o intervalo da fatídica situação de 2007, o Bahia existe no Centro da cidade. Ignorar o histórico seria ignorar o fato de que existe ali uma relação criada em todo esse tempo. São muitos anos vivendo naquele lugar, na dinâmica daquele local e construindo uma relação", explica Mesquita.

Um dos pontos que chamou atenção foi observar que Armação tinha o maior número de associados, assim como bairros como Amaralina. No entanto, o geógrafo alerta que alguns resultados podem trazer falsas impressões por se tratar de bairros com poucos habitantes. Esse é o caso de locais como o Centro Administrativo da Bahia e Mares, que têm poucos habitantes e aparecem entre os 10 bairros com mais sócios.

Durante a pesquisa, ele estudou também a malha urbana, em especial nas redondezas da Fonte Nova. "Por conta dos jogos do Bahia, é como se a cidade se movimentasse para estar lá, naquele momento específico, durante o tempo da partida e um pouco depois. A gente mapeou as principais vias que circundam o estádio e, a partir disso, identificamos as que ficam fechadas temporariamente e olhamos de forma mais detalhada: como elas são em dias de jogo e como são em dias comuns. A ladeira da Fonte das Pedras é um exemplo: o torcedor pegou aquele espaço e transformou no que é chamado lugar, no espaço vivido. Aquele ponto passa a ser uma zona de pertencimento", afirma.

A partir da pesquisa, ele espera desenvolver mais estudos no futuro, como amplificar a análise sobre renda. A priori, já foi possível perceber a distribuição de associados em todas as faixas de renda. Cerca de 90% dos bairros com maior número de sócios são de locais considerados de classes C, D e E.

Para o geógrafo Wendel Baumgartner, que orientou o projeto e é professor titular da Ufba, trabalhos como o de Ian Mesquita ajudam a fazer com que a academia olhe para temas como o esporte, que têm muita importância para a cidade. Essa relevância é tanta que faz com que, em dias de eventos esportivos, uma cidade como Salvador respire futebol.

"Além dos grandes temas da Geografia, da Geopolítica e das mudanças climáticas, esse olhar cotidiano da Geografia na escala da cidade traz análises muito enriquecedoras para entender como Salvador funciona".

Ele explica que, além de identificar quais bairros têm mais ou menos torcedores, o trabalho é importante para entender como a cidade funciona a partir desse mapeamento. "Isso é importante para que a gente possa pensar o planejamento da cidade em dias de jogos, a exemplo de linhas especiais de ônibus, enquanto o próprio clube pode pensar em aberturas de lojas ou iniciativas para diálogo com os torcedores. A ideia, além de saber quais bairros têm mais torcedores, é entender como o futebol transforma Salvador e o quão importante é essa dimensão em dias de jogos".

Tags:

Bahia A Geografia do Esporte Clube Bahia