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Thais Borges
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 11:00
Daqui até o dia 18 de fevereiro, data do Arrastão da Quarta-feira de Cinzas, o calendário de festas de Salvador não vai dar folga, com eventos previstos para quase todos os dias. Mas curtir intensamente a temporada pode ter um custo para a saúde - e, para evitar as famigeradas viroses do período, a dica é tomar alguns cuidados. >
A falta de descanso, as noites mal dormidas e o excesso de bebidas, além de uma alimentação desregulada desde as confraternizações do final do ano passado podem ter efeitos diretos no sistema imunológico e deixar o organismo mais vulnerável a infecções respiratórias, gripes e outros problemas. >
“Quando a gente fala de imunidade, muita gente fica um pouco perdida e é até uma matéria que os alunos têm uma certa resistência. O sistema imune é muito complexo e interligado. Ele está diretamente ligado com o processo de defesa do corpo e tem uma relação muito próxima com o sono”, diz o imunologista Lucas Medeiros, professor da Afya Salvador.>
Doenças mais comuns nesta época de festas e aglomerações de verão
Isso porque o sono não é apenas um momento de descanso, mas representa um processo biológico importante para o equilíbrio corporal, segundo o professor. Existem células chamadas de natural killers (em tradução livre, assassinas naturais) que agem como exterminadoras das tais ‘viroses’. >
No entanto, as noites insones provocam um processo que é um estresse metabólico no corpo. “O sono está atrelado a esse processo de regulação de hormônios. É durante o sono que a gente ajusta os níveis desses hormônios, como o cortisol, que está ligado aos linfócitos T. É um momento de balanço e equilíbrio. A indicação de sete a nove horas de sono não é à toa”, enfatiza o imunologista. Conhecido como hormônio do estresse, o cortisol tem ação imunossupressora - ou seja, reduz o número e a função dos linfócitos no sangue. >
Na última edição do boletim InfoGripe, produzida pela Fiocruz e publicada no dia 15, a entidade já destacou o aumento acelerado de casos graves de infecções provocadas pelo vírus influenza A em estados do Norte e do Nordeste. Por enquanto, esse crescimento de notificações, ainda referente à primeira semana epidemiológica do ano (de 4 a 10 de janeiro) não mostrou impacto nas hospitalizações no Nordeste, apenas na região Norte. >
Um dos casos recentes foi do cantor Xanddy Harmonia, que passou por um susto devido a uma gastroenterite infecciosa, na última semana. Em meio a uma das temporadas mais movimentadas para a música baiana, Xanddy chegou a ser internado na segunda-feira (19), depois de passar mal. Ele teve que cancelar um show no Rio de Janeiro e ficou no hospital por três dias. >
Na sexta-feira (23), um dia após ter alta, ele gravou um vídeo tranquilizando os fãs. “Graças a Deus, o papai aqui está 100% recuperado. Graças a Deus, graças aos profissionais e médicos que estavam comigo esses dias. Todo checado, todo zerado, e feliz da vida com tanta mensagem de amor e carinho que vocês emanaram e mandaram para mim. Me senti muito amado esses dias. Muito obrigado pelo apoio, pela força. Isso é muito importante”, disse o artista.>
Cuidados>
Entre as doenças mais comuns do período, estão os resfriados, faringites, gripes, amigdalites, reativações de herpes labial, mononucleoses e gastroenterites virais. >
“O sistema imune basicamente regenera células de defesa primordiais e ajusta níveis de hormônio, como o cortisol e a melatonina. Basicamente, o checklist de ajuste faz com que a palavra ideal para o sistema imune seja o equilíbrio. Não precisa deixar de ir a festas nem nada, mas ter equilíbrio”, orienta o imunologista Lucas Medeiros, professor da Afya Salvador.>
O problema é que a maratona de festas vem como um combo: além da privação de sono, é comum haver aumento de bebidas alcoólicas e de comidas gordurosas. Por isso, a recomendação após um dia de farra é ter um dia de descanso, com muita hidratação. A alimentação também deve conter itens ricos em vitamina C e zinco, como frutas e verduras. “Mas o ideal é não perder noites seguidas de sono, porque a situação já fica mais difícil”, reforça. >
A desidratação provocada pelo álcool prejudica o metabolismo, enquanto o consumo de vitaminas é importante para regular a resposta imunológica. Por isso, alimentos como ovos, salmão, cenoura, abóbora e brócolis devem ser priorizados, pelo alto teor de vitamina C. Outra recomendação importante é a exposição diária a luz solar por alguns minutos, para ativar a vitamina D. De acordo com o imunologista, esse consumo ajuda a proteger as mucosas, mas também as células de defesa do organismo. >
Ainda que, hoje, existam muitas opções de suplementação de nutrientes no mercado funcional, a orientação do imunologista é de priorizar a origem natural. “O ideal é que os nutrientes venham sempre da alimentação”, enfatiza. >
Pequenos>
Mesmo as crianças estão vulneráveis a adoecer mais nessa época do ano. Ainda que não sejam o público das festas desse período, elas também vivem dias mais longos, com brincadeiras ao ar livre, além de viagens e rotinas cansativas. Por isso, não é incomum que sofram impactos no sistema imunológico também. >
O calor intenso, a mudança de rotina e a maior exposição a ambientes coletivos são uma combinação que pode favorecer o surgimento de doenças que vão de infecções respiratórias a dermatites, segundo o diretor médico da Carnot Laboratórios, Carlos Alberto Reyes Medina. >
“Férias significam dormir mais tarde, alimentação diferente, excesso de sol e mudança de ambiente. Isso impacta diretamente o corpo e a defesa natural das crianças”. >
Outro aspecto destacado por ele é que o calor acelera a proliferação de microorganismos em alimentos, aumentando a chance de intoxicação e infecções intestinais. A desidratação, especialmente quando crianças passam horas brincando ao sol, também enfraquece a capacidade de o corpo combater infecções. >
“Ao entender como o calor afeta o corpo e ao adotar hábitos simples, os pais conseguem aproveitar o verão com mais segurança e menos sustos. Cuidar da imunidade das crianças nessa época evita interrupções nas férias e, principalmente, complicações mais sérias”, completa Medina. >