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É possível chegar ao final de uma gestação sem descobrir que está grávida; entenda

Médicos explicam casos em que mulheres chegam ao hospital com dor e descobrem que estão grávidas e já em trabalho de parto

  • Foto do(a) author(a) Carolina Cerqueira
  • Carolina Cerqueira

Publicado em 1 de fevereiro de 2025 às 05:00

Ismalia e a filha, que nasceu no dia 20 de janeiro
Ismalia e a filha, que nasceu no dia 20 de janeiro Crédito: Divulgação/UPA de Brotas

Imagina chegar ao hospital com dor, sem saber o que está acontecendo, e sair com um bebê nos braços. Esse foi o caso de Ismalia Sena, de 35 anos, na última semana. Também foi o caso de uma adolescente de 16 anos que não teve o nome divulgado, em março de 2024. Vídeos que circulam na internet contam diversas histórias de mulheres que chegam ao momento do parto nem saber que estavam grávidas. Até um programa de televisão já foi feito para reunir casos como esses.

Segundo o obstetra Elias Melo, cerca de 1.500 partos surpresa acontecem por ano nos Estados Unidos. “No Brasil, não tem esse CID, então não é possível colher dados automaticamente. Teria que haver um estudo específico”, explica o médico, presidente da Comissão de Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A médica Roberta Visco atua na UPA de Brotas, em Salvador, e foi quem atendeu Ismalia. “Ela chegou com dor abdominal intensa, não conseguia nem responder o que eu perguntava. Negou outras queixas. Quando eu perguntei da possibilidade de uma gravidez, ela disse que não porque a menstruação estava normal”, lembra.

Quando o Beta hCG foi feito por precaução médica, deu positivo. Um exame de toque detectou que o bebê já estava nascendo. “Fizemos o parto e foi tudo tranquilo. A bebê nasceu saudável”, diz a médica. A filha de Ismalia nasceu com 3,160 kg e 44 cm. O pai da criança contou que a barriga da esposa não cresceu a ponto de eles desconfiarem de uma gravidez. Os dois, experientes, já eram pais de outra menina, chamada Ana Carolina.

Sangramento

Roberta Visco explica que o que Ismalia considerou como menstruação, na verdade, era um sangramento vaginal. “Esse sangramento durante uma gravidez é relativamente comum. Mas é preciso dizer que não é menstruação; é impossível menstruar durante uma gravidez. Ismalia só não conseguiu fazer essa diferenciação”, destaca.

A ginecologista da clínica AMO Patrícia Carneiro explica que há um sangramento decorrente do processo de nidação, que é a instalação do óvulo no endométrio para a formação da placenta. Esse acontece logo no começo da gestação. Depois, o que pode ocorrer são pequenos descolamentos da placenta em relação ao útero.

“No absorvente, isso pode ser lido como menstruação. É difícil diferenciar porque esse sangramento pode ser vermelho vivo, rosado ou até marrom, muito parecido com o sangue da menstruação. Mas, geralmente, a quantidade é pouca e dura muito pouco também”, diz Patrícia.

Além do sangramento, outras questões podem fazer com que uma mulher não desconfie de uma gravidez. Se ela estiver utilizando métodos contraceptivos, já tiver um ciclo menstrual irregular ou se tiver a síndrome do ovário policístico, que dificulta o processo de concepção.

Barriga

O obstetra Elias Melo explica que um mioma, por poder pesar até um quilo e aumentar muito o tamanho da barriga, também é capaz de disfarçar uma gravidez. “Se uma mulher tem mioma, que dá volume, tem gordura abdominal decorrente da síndrome do ovário policístico ou já está acima do peso naturalmente, não vai identificar que está com a barriga maior por conta de uma gravidez”, acrescenta Patrícia.

Uma camada considerável de tecido adiposo também pode ajudar a disfarçar chutes de um bebê já em desenvolvimento avançado. “Algumas vezes a paciente pensa sentir algo mexendo na barriga e atribui a algum mioma eventual ou mesma à peristalse intestinal”, explica Elias Melo.

Os riscos de só descobrir uma gravidez na hora do parto são inúmeros, tanto para os bebês quanto para as mães. O pré-natal é fundamental para a identificação de ocorrências, prevenção e tratamento. “O devido acompanhamento permite o diagnóstico laboratorial de alguma doença que poderia ser resolvida facilmente e que, pela negligência, pode resultar em parto prematuro ou sequelas para o bebê”, coloca Elias.

Elias e Patrícia ponderam que toda gravidez apresenta sinais. “É impossível, formalmente, uma gravidez não produzir nenhuma alteração significativa para o profissional experiente ou para a paciente que conhece bem o corpo”, alerta o obstetra.