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'Nosso prédio precisa de socorro': diretor da Faculdade de Medicina da Bahia denuncia risco na estrutura

Prédio da FMB é tombado pelo Iphan e abriga os cursos de Medicina e Terapia Ocupacional, além de ambulatório e pós-graduação

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 14:31

Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), da Ufba
Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), da Ufba Crédito: Nara Gentil/Arquivo CORREIO

Berço do primeiro curso de Medicina do Brasil, a Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), unidade mais antiga da Universidade Federal da Bahia (Ufba), enfrenta um momento de preocupação e riscos de segurança em sua estrutura. A situação foi revelada pelo diretor da FMB, o professor Antonio Alberto Lopes, em um vídeo ao qual o CORREIO teve acesso com exclusividade, nesta segunda-feira (2).

“Estou aqui para pedir socorro. Socorro para o prédio histórico que fica no Largo do Terreiro de Jesus”, diz o diretor, logo no começo das imagens. Além de mostrar o apelo do professor, o vídeo traz os dizeres: ‘Pedido de socorro para o prédio da Primeira Faculdade de Medicina da Bahia'.

Espaços do prédio da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), da Ufba, têm riscos na estrutura por Acervo pessoal

De acordo com Lopes, a situação no prédio é considerada muito grave. Ele conta que várias áreas do prédio estão interditadas, inclusive o Salão Nobre e o anfiteatro Alfredo de Britto. O curso de terapia ocupacional teve que sair do espaço às pressas, por medida de segurança.

“Uma situação tal que o representante do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na Bahia chegou a dizer que nós estamos correndo o risco de interdição de todo o prédio. Imagine o prejuízo que vai ocorrer com a interdição”, diz. Entre os serviços que seriam afetados, está o de um ambulatório que presta atenção à saúde da comunidade. “Além disso, esse serviço de saúde é importante para o treinamento de estudantes de Medicina e para residentes de Medicina, de Pediatria, principalmente. Precisamos de muita atenção”, clama.

Entre outros impactos, ele cita a eventual perda da Biblioteca da unidade, da área de colegiados e de direção, além dos cursos de pós-graduação. “Peço a todos atenção para o prédio histórico dessa faculdade, que completa 218 anos. Imagine que a universidade completa 80 anos e nosso prédio é muito mais antigo. A própria Faculdade de Medicina precisa de atenção”, enfatiza.

O diretor reforça que acredita ser necessário um laudo técnico para ter certeza do que precisa ser feito. “Vou sair pedindo socorro a todos. Nosso prédio precisa de socorro. Caso contrário, esse prédio vai deixar de existir e ficar interditado antes de tudo. A Faculdade mais antiga precisa de socorro e ajuda de todos”, conclui.

Espaços do prédio da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB), da Ufba, têm riscos na estrutura por Acervo pessoal

O prédio da FMB no Pelourinho é tombado pelo Iphan desde 2015, embora o pedido para tombamento tenha sido inicialmente de 1994. De acordo com o site da Ufba, a edificação foi construída em 1905, após um incêndio na primeira sede a FMB - o antigo Colégio dos Jesuítas. A construção foi feita no mesmo local do primeiro prédio, com um projeto do engenheiro baiano Teodoro Sampaio e do arquiteto Victor Dubrugas. Antes do tombamento pelo órgão federal, contudo, o prédio já tinha sido considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

Além do espaço destinado aos cursos de graduação e pós-graduação, o prédio também abriga dois museus ligados à Ufba: o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e o Museu Afro-Brasileiro (Mafro). 

O CORREIO entrou em contato com professor Antonio Alberto, mas não teve resposta até a publicação. A reportagem solicitou um posicionamento do Iphan, assim como da Ufba e do Ministério da Educação (MEC). O espaço segue aberto para manifestação e este texto aguarda atualização. 

A Defesa Civil de Salvador (Codesal) afirmou que realizou vistorias no imóvel. De acordo com o órgão municipal, "no prédio principal, constatou-se infiltrações generalizadas nas fachadas internas, fissuras em paredes e estruturas, danos em elementos ornamentais, ausência de sinalização de saídas de emergência e corrimão em desacordo com a NBR 9050/2020, hidrantes danificados e/ou desativados, tubulações do sistema de combate a incêndios apresentando oxidação e possíveis vazamentos", diz um trecho da nota.

Ainda de acordo com a Codesal, os relatórios foram enviados ao Iphan para recuperação estrutural e a Faculdade de Medicina foi notificada com recomendações pertinentes.