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Poder dos informados: chefes de grupo criminoso escapam e mistério desafia investigação contra PCC

Polícia Federal vai investigar vazamento que teria beneficiado alvos de megaoperação contra facção criminosa

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 05:00

Mourad, conhecido como
Agentes da PF cumpriram mandados nesta semana em prédios da Avenida Brigadeiro Faria Lima, principal centro financeiro do país Crédito: Leandro Chemalle/Estadão Conteúdo

O maior mistério da Operação Carbono Oculto não está apenas nos R$ 52 bilhões movimentados pelo crime organizado entre 2020 e 2024, mas no fato de que seus principais alvos pareciam já saber o que estava por vir. Para os investigadores, os chefes do grupo criminoso não tinham apenas dinheiro e influência: tinham também acesso a informações privilegiadas.

A cúpula da Polícia Federal manifestou preocupação porque mais da metade dos investigados com mandados de prisão não foi localizada. Entre os oito foragidos - de um total de 14 prisões preventivas expedidas pela Justiça Federal - estão justamente os principais suspeitos de comandar a rede criminosa que contaminou o setor de combustíveis: Mohamad Hussein Mourad, “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, do antigo grupo Aster/Copape.

Delegados e agentes da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF (DICOR) se reúnem desde quinta-feira (28) para entender como não apenas os principais, mas a maioria dos alvos conseguiu escapar. Sob sigilo, um investigador disse ao portal g1 que muitos monitorados fugiram “de véspera”. Segundo ele, há indícios de que os suspeitos deixaram suas casas um dia antes da operação - ou até mesmo alguns dias antes.

Mourad, conhecido como
Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto, o "Beto Louco" Crédito: Divulgação

Diante do cenário, a Polícia Federal vai instaurar um inquérito para apurar o possível vazamento. O objetivo é identificar se houve facilitação por parte de agentes públicos ou divulgação indevida de informações.

A Operação Carbono Oculto é considerada a maior ofensiva contra o crime organizado no Brasil. A investigação alcançou nesta semana diretamente a Faria Lima, principal centro financeiro do país, além do setor de combustíveis. Uma força-tarefa com 1.400 agentes cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão em empresas de combustíveis e instituições financeiras usadas pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com as investigações, o PCC praticamente sequestrou o setor de combustíveis. A avaliação das autoridades é de que quem tentar atuar de forma legal no segmento não consegue competir. O esquema envolve metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol; controla parte da estrutura portuária, o refino e a formulação; possui frota de transporte, rede de postos de abastecimento e até lojas de conveniência.

O domínio do setor - que, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), representa 10% do PIB nacional, gera 1,6 milhão de empregos, fatura R$ 420 bilhões ao ano e recolhe R$ 130 bilhões em impostos - permitiu ao grupo blindar patrimônio e expandir os lucros no mercado financeiro. Foi nesse ponto que a Faria Lima entrou no alvo da investigação.

Nesta sexta-feira (29), carretas carregadas de combustível das empresas G8LOG e Moskal - ligadas aos principais alvos da operação - foram abandonadas em um posto de combustíveis em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador. As duas companhias foram identificadas como empresas de fachada do esquema criminoso comandado por Mourad e “Beto Louco”.

Criada em fevereiro de 2024, a G8LOG Agro atua formalmente no transporte de cana-de-açúcar e etanol para usinas do Grupo Itajobi, mas, segundo a PF, integra uma rede de ocultação patrimonial. Já a Moska Log opera de forma associada à G8LOG: compartilha logomarca, telefone e parte da frota registrada na Blue Star.

Também nesta sexta, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação vai investigar “com sobriedade e energia” todos os suspeitos envolvidos nas fraudes na cadeia de combustíveis e no uso do esquema para lavagem de dinheiro do PCC.

“Não faremos a seleção de investigados. Vamos investigar quem encontrarmos provas: sejam políticos, empresários, funcionários públicos ou da iniciativa privada. Vamos atuar com o rigor e a responsabilidade de sempre”, declarou Rodrigues, em entrevista à GloboNews.