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Carol Neves
Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 09:16
Uma ativista ganhou grande repercussão nas redes sociais nesta quinta-feira (12) ao relatar um episódio que viveu em Morro de São Paulo, destino turístico situado no município de Cairu, no litoral baiano. Segundo ela, a presença crescente de turistas israelenses tem alterado o clima na localidade. >
Em um vídeo publicado no Instagram, Lisi Proença contou que foi vítima de furto em meio a um ambiente que descreveu como hostil. Ela afirma que a situação teve início após circular pela ilha segurando uma bandeira da Palestina, manifestação que, segundo a ativista, tem sido adotada por outras pessoas da região.>
Em publicação, Lisi declarou: “Eu amo o Morro de São Paulo. É a Bahia, pô. É um lugar que escolhi chamar de casa e respeito muito. E, depois do que vivi, confesso: fico receosa de voltar. Não por não gostar mais, mas pela minha segurança mesmo”.>
A ativista relata que, ao caminhar em direção à Segunda Praia, passou a ser filmada por algumas pessoas e percebeu um clima de constrangimento ao redor. Em imagens compartilhadas por ela, um brasileiro aparece tomando sua bandeira e tentando escondê-la, numa tentativa de defender turistas israelenses. A polícia foi acionada, e a situação acabou sendo controlada minutos depois.>
Nas redes sociais, Lisi afirmou ainda que o caso não deve ser encarado como um incidente isolado. “O que vivi foi grave demais para ser normalizado. Eu também sei que não foi um ‘roubo comum’. Não foi um impulso aleatório. Todos sabemos por que minha propriedade foi levada. E o roubo aplaudido. Eu estava apenas caminhando, em silêncio, carregando uma bandeira. Não provoquei ninguém. Não falei com ninguém. Não confrontei ninguém. Eu apenas existia ali, com um posicionamento político visível. E isso foi suficiente”, escreveu.>
Há anos Morro de São Paulo recebe um grande número de visitantes israelenses, especialmente durante o verão. O destino tornou-se bastante procurado por militares que viajam durante períodos de férias, o que levou estabelecimentos locais a adotarem cardápios e sinalizações em hebraico e a capacitarem profissionais para atender turistas no idioma, buscando facilitar a comunicação com os visitantes.>