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Nauan Sacramento
Publicado em 25 de março de 2026 às 21:35
Colchões rasgados, muita sujeira e condições insalubres, é assim que vivem os internos do Centro Terapêutico Família Camaçari. É o que apontam denúncias contra a instituição localizada no distrito de Monte Gordo, em Camaçari. O centro é investigado por crimes que envolvem desde maus-tratos e condições análogas à escravidão até homicídio e estupro. A Polícia Civil (PC) confirmou que já registrou oito denúncias contra a instituição entre os anos de 2022 e 2026, que resultaram em seis inquéritos policiais. Além disso, o ógão também investiga uma morte no local que aconteceu no último sábado (21). >
Nas redes sociais, o Centro Terapêutico Família se apresenta como um "ambiente acolhedor, confortável e tranquilo, com estrutura semelhante a um resort, pensado para o bem-estar dos pacientes". No perfil da instituição no Instagram, aparecem ainda publicações sobre "Jet terapia", com o uso de jet ski, atividades na piscina e contato com animais. No entanto, imagens das instalações revelam um cenário de abandono. >
Colchões sujos e áreas insalubres: centro terapêutico em Camaçari é alvo de inquéritos por homicídio, maus-tratos e outros crimes
Nos registros é possível ver colchões rasgados, sujos e banheiros em condições insalubres. A mesma situação é vista em um espaço que parece uma cozinha, com muita sujeira e panelas encardidas. >
De acordo com a Polícia Civil, há registros de inquéritos pelos crimes de maus-tratos, homicídio e dano. "Seis inquéritos foram instaurados na 33ª Delegacia Territorial (DT/Monte Gordo), sendo cinco já remetidos ao Poder Judiciário, com três indiciamentos. Outro procedimento tramita na 4ª Delegacia de Homicídios (DH/Camaçari), responsável pela investigação da morte de Aline da Silva Fernandes, de 43 anos, que era interna do local ocorrida no sábado (21)", apontou a PC.>
No entanto, em um levantamento feito através da plataforma Processo Judicial Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) com o CNPJ do centro terapêutico foram constatados ainda processos relacionados a crimes contra a liberdade pessoal e redução a condição análoga à de escravo; crimes contra a dignidade sexual, estupro; além de despejo por inadimplemento.>
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) foi procurado pela reportagem, mas informou que "o processo tramita na Justiça sob sigilo". O Ministério Público do Trabalho (MPT) também foi procurado para falar sobre o crime de condição análoga à de escravo, mas ainda não retornou. A reportagem também procurou a administração do Centro Terapêutico Família Camaçari através do telefone disponível em suas redes sociais, mas não teve retorno. O espaço segue aberto. >
No último sábado (21), uma paciente do centro, identificada como Aline da Silva Fernandes, internada há apenas um dia no local, foi morta por outra interna após um desentendimento. Segundo a Polícia Civil, a briga entre as pacientes resultou em uma agressão física contra a vítima. A identidade da suspeita do golpe não foi revelada pelas autoridades.>
Ainda segundo o órgão, após o ocorrido, a equipe da unidade tentou realizar manobras de reanimação, mas sem sucesso. Aline foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Arembepe, onde o óbito foi oficialmente constatado. O caso agora é investigado pela 4ª Delegacia de Homicídios (DH/Camaçari).>
Também através das rede sociais, a administração do Centro Terapêutico Família Camaçari informou que "a equipe da clínica prestou imediato atendimento, adotando todas as medidas emergenciais cabíveis no momento do ocorrido". Na nota, a instituição afirmou que colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.>