Corpo do ajudante de baiana de acarajé morto em Praia do Forte é enterrado

"Ele (suspeito) era muito desequilibrado. Soubemos até que era aposentado por desequilíbrio mental", disse prima da vítima

Publicado em 11 de outubro de 2015 às 17:52

- Atualizado há 10 meses

Joselito matou três pessoas e, em seguida,se suicidou (Foto: Reprodução)O corpo de Edmilson dos Santos Souza, 25 anos, assassinado na sexta-feira (9) pelo vigilante Joselito Silva da Encarnação, 36, foi enterrado neste domingo (11), por volta das 15h, no cemitério do Campo Santo.

O crime aconteceu na Praia do Forte, em Mata de São João (Litoral Norte), quando Joselito matou também a ex-namorada, Elaine Brito Lemos, 35, e a filha dela, Manuela Beatriz, 4. Em seguida, ele cometeu suicídio. Elaine era vendedora de acarajé e Edmilson, seu auxiliar.Os familiares de Edmilson acreditam que ele não tinha nenhum envolvimento romântico com Elaine, mas ainda assim despertava ciúmes em Joselito.

"Ele (Joselito) andava sempre armado e prestava serviço como vigilante de algumas lojas em Brotas. Ele era muito desequilibrado. Soubemos até que ele era aposentado por desequilíbrio mental", disse Adelzuíta Oiveira, prima de Edmilson. Segundo a família do assassinado, foi o próprio Joselito que havia indicado Edmilson para o trabalho com Elaine. Michele Natividade Souza, 24, irmã de Edmilson, disse que as vítimas trabalhavam juntas havia aproximadamente 4 meses, mas não namoravam, embora morassem juntos. "Ele morava com ela e frequentava a mesma igreja que Elaine, que tinha estimulado ele a parar de beber e fumar e o iniciou na igreja"."Apenas moravam na mesma casa, mas encheram a cabeça do assassino dizendo que eles namoravam. Eu falei com meu irmão por telefone na véspera do crime e aconselhei ele a sair da casa de Elaine. Mas ele não acreditava nas ameaças e não quis sair de lá", disse ao CORREIO.Segundo o delegado Aldacir Ferreira, que acompanha o caso, as investigações ainda não permitem concluir se as vítimas namoravam. Durante o enterro de Edmilson, familiares dele diziam que Joselito havia usado cocaína antes de cometer os crimes, mas o delegado afirmou ainda não ser possível concluir isso, já que os resultados da perícia só devem sair em pelo menos 30 dias. Aldacir Ferreira afirmou também desconhecer a informação de que Joselito era aposentado. O segurança já tinha passagens pela polícia por agressão cometida a uma ex-mulher. Ainda não há informações sobre o enterro do suspeito.Enterro da baiana de acarajé e sua filha aconteceu no sábado (11)(Foto: Betto Jr./CORREIO)Ciúme mortalNo começo eram flores, chocolates e presentes, depois xingamentos e empurrões. A vida amorosa conturbada do vigilante Joselito terminou de forma trágica, com quatro mortos em Praia do Forte.Por volta das 21h30, o vigilante entrou na casa onde morava a ex-namorada Elaine e matou a tiros a mulher, o ajudante dela Edmilson e a pequena Manuela Beatriz. Em silêncio, com um revólver calibre 38 nas mãos, Joselito invadiu o imóvel e disparou contra as pessoas que estavam na casa. Dois filhos de Elaine - um casal de adolescentes de 13 e 17 anos - conseguiram fugir assim que ouviram os primeiros disparos. Um deles correu para fora do imóvel e outro se escondeu dentro da casa. Elaine foi baleada na testa, nuca e no punho, na sala. Ela foi socorrida até um posto de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. Edmilson foi atingido na cabeça. Ele estava na cozinha e morreu no local. Já a  pequena Manuela foi morta, com um tiro na cabeça, deitada na cama. Depois de cometer os crimes, Joselito se matou ao lado de Elaine com um tiro na boca. “Ainda não sabemos a ordem que as mortes aconteceram. Isso só os laudos da perícia poderão afirmar. A família dela está em choque muito grande”, disse o delegado Aldacir Ferreira, titular da delegacia de Praia do Forte. A ação de Joselito, que também era conhecido com Claudio, Pity ou Liliu, foi rápida.  “O som do bar estava bem alto e não ouvimos os tiros. Quando percebemos, uma multidão se aglomerou na frente do beco”, disse um garçom de um bar da rua.

[[saiba_mais]]RomanceO relacionamento entre Elaine e Joselito começou há menos de um ano. Na época, os dois moravam a três casas um do outro, na Rua Frederico Costa, no Engenho Velho de Brotas. Elaine trabalhava como manicure e vendia acarajé, enquanto Joselito fazia serviços de vigilante para lojas localizadas na região.De acordo com a polícia, o casal tinha um histórico de brigas. Os problemas aumentaram quando Elaine resolveu terminar o namoro. Joselito não aceitava o fim do relacionamento. Para tentar se ver longe do ex-namorado, após sucessivas brigas e ameaças  por ciúmes, a baiana de acarajé deixou Brotas e alugou uma casa na Avenida ACM, no centro de Praia do Forte. “Ela estava na casa alugada há pouco tempo. Oficialmente, ela não estava trabalhando e vivia apenas das suas economias. Inclusive, ela tinha feito o pedido de licença na  prefeitura para vender acarajé em Praia do Forte”, completa o delegado Aldacir. Vizinhos limparam sangue da porta de casa(Foto: Luciano Júnior)HistóricoAntes de se envolver com Elaine, Joselito teve um relacionamento de 2 anos e 8 meses. No namoro anterior, o comportamento do vigilante não foi muito diferente do que teve com Elaine. “No começo do relacionamento, ele se mostrou uma pessoa cuidadosa. Flores, presentes... sempre fazia questão de me agradar, mas depois ele mudou. Ele não parecia uma pessoa agressiva, mas eu estava enganada”, disse a ex-namorada, que pediu para não ser identificada.Os problemas começaram cinco meses após o início do namoro. “Ele era muito ciumento, ficava fuçando meu celular, ouvindo minhas conversas e depois procurando problemas. Foram várias discussões até que eu não aguentei mais”, disse. Em janeiro deste ano, depois de mais de 2 anos de namoro, uma crise de ciúmes terminou em agressão física entre o casal. “Era por volta de meio-dia. Ele teve mais uma crise e fechou a porta para eu não sair. Depois começou a me agredir com socos, mordidas e chutes. Aquele dia foi a gota d’água pra mim”, afirmou.Ela contou que procurou a 5ª Delegacia (Periperi) e registrou denúncia na Delegacia Especial de Atendimento Especial à Mulher (Deam/ Periperi). “A primeira foi pela agressão física e a segunda porque ele me perseguia quando eu saía do trabalho. Em uma das vezes ele estava armado. Quando a gente brigava ele dizia que não tinha nada a perder e que eu era dele. Fiquei assustada”, disse. Nas duas audiências realizadas na Deam, Joselito não compareceu. Há cerca de quatro meses, ele parou de perseguir a ex-namorada.Elaine e Manuela foram sepultadas no Cemitério Campo Santo, no final da tarde de sábado (10). Cerca de 50 pessoas acompanharam em silêncio o cortejo com os caixões de mãe e filha. Os familiares e amigos preferiram não falar com a imprensa. O cortejo seguiu silencioso da capela, onde foram velados os corpos, até o local do sepultamento.