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Desmatamento, lixo e clima: por que crescem os ataques de animais peçonhentos na Bahia

Em 2025, o estado registrou média de 99 picadas de animais peçonhentos por dia

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 11 de março de 2026 às 05:30

O escorpião-amarelo caça principalmente insetos, desempenhando um papel importante no controle de pragas (Imagem: Vinicius R. Souza | Shutterstock)
Escorpião-amarelo Crédito: Vinicius R. Souza | Shutterstock

Em um intervalo de apenas cinco anos, a Bahia registrou um aumento de cerca de 50% no número de vítimas de picadas de animais peçonhentos. Em 2025, ao menos 36.192 pessoas foram atacadas por esses animais em todo o estado, totalizando uma média de 99 casos diários. Em 2021, o total havia sido de 24.097 ocorrências. Embora cada espécie possua seus próprios habitats e formas de reprodução, situações como desmatamento, problemas de saneamento básico, crescimento urbano e mudanças climáticas podem ser fatores relevantes para a proliferação desses animais.

“São fatores que aproximam esses animais dos humanos, ao mesmo tempo em que influenciam na reprodução. Um exemplo preocupante é o escorpião, que se reproduz por partenogênese [reprodução assexuada], ou seja, faz autorreprodução e atualmente causa acidentes dentro dos domicílios”, argumenta o professor de Ecologia Médica e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana (PPGECoH) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Artur Lima.

Os escorpiões são responsáveis por 26.088 dos registros em todo o estado durante o ano de 2025, o equivalente a 72% dos casos. Além deles, o professor aponta outros animais peçonhentos que causam acidentes, como serpentes, lagartas, como as taturanas, abelhas com ferrão e diferentes espécies de aranhas. Esses animais podem ser encontrados tanto em áreas rurais quanto urbanas.

“Hoje, como a maioria das pessoas mora na zona urbana, nesses locais têm sido registrados grandes números de acidentes”, ressaltou.

Nesse cenário, Lima aponta uma série de medidas que devem ser adotadas para resguardar a segurança diante desses animais. Entre elas estão o uso de vestimentas adequadas em áreas de mata e trilhas, o uso de luvas de couro para manipulação de folhas secas, montes de lixo, lenha e palha, além de manter camas e berços afastados das paredes.

“Na zona urbana, é preciso ter cuidado nos quintais ao manusear entulhos e folhas. O lixo e o esgoto são grandes atrativos, pois levam à proliferação de baratas e outros insetos, que servem de alimento para aranhas e escorpiões, por exemplo. Na jardinagem, também é preciso atenção com lagartas e abelhas com ferrão”, alerta o professor.

Outros cuidados também podem ajudar a prevenir a presença de animais peçonhentos, como:

  1. Manter jardins e quintais limpos;
  2. Limpar periodicamente terrenos baldios vizinhos, pelo menos em uma faixa de um a dois metros junto às casas;
  3. Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los;
  4. Vedar frestas em portas e janelas ao escurecer;
  5. Usar telas em ralos do chão, pias ou tanques;
  6. Combater a proliferação de insetos para evitar o aparecimento de aranhas que deles se alimentam;
  7. Preservar inimigos naturais de escorpiões e aranhas, como aves de hábitos noturnos (corujas e joão-bobo), lagartos, sapos, galinhas, gansos, macacos e coatis, entre outros (na zona rural);
  8. Barulhos, perfumes fortes, desodorantes, o próprio suor do corpo e cores escuras (principalmente preto e azul-marinho) podem desencadear comportamento agressivo em abelhas e, consequentemente, ataques;
  9. Manter o lixo domiciliar em sacos plásticos ou recipientes fechados, para evitar baratas, moscas e outros insetos;
  10. Evitar colocar as mãos sem luvas em buracos, sob pedras, troncos podres ou dormentes de linhas férreas;
  11. Consertar rodapés despregados;
  12. Evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão;
  13. Não pendurar roupas nas paredes.
Cobra por Divulgação

Capital baiana

Dentro desse cenário, Salvador registrou 277 casos no ano passado, o que representa menos de 1% de todos os acidentes com animais peçonhentos notificados no estado. O número é ligeiramente menor do que os 299 registrados em 2024. No ano anterior, a capital baiana teve 228 casos; 160 em 2022; e 166 em 2021. Dessa forma, o aumento na capital baiana foi de 67% no período de cinco anos.

Um dos protagonistas desses acidentes é o escorpião, que injeta sua peçonha por meio do ferrão. Ele é responsável por 6,07 casos por 100 mil habitantes. Cerca de 68 bairros da capital baiana registraram ocorrências com escorpiões, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), levantados pelo pesquisador Luccas Lussano, do PPGECoH da Uneb. Os mais afetados, entre 2021 e 2024, são: Boca da Mata, Pernambués, São Cristóvão, Águas Claras e Baixa do Sapateiro.

Entre as espécies, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) e o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus) estão entre os mais perigosos com incidência na região Nordeste.