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Nauan Sacramento
Publicado em 31 de março de 2026 às 18:06
O debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha urgência nesta quinta-feira (2), data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada 100 pessoas vive com o transtorno, porém, uma parcela significativa dessa população atinge a vida adulta sem o diagnóstico formal. O fenômeno, marcado pelo "sofrimento emocional e sensação constante de inadequação", reflete a falta de preparo das redes de apoio para identificar sinais menos óbvios ao longo das décadas. >
Para a terapeuta transpessoal sistêmica Marcela Santana, coautora da obra Além do Diagnóstico, o autismo em adultos é frequentemente confundido com traços de personalidade ou transtornos isolados. “O diagnóstico tardio não apaga uma vida inteira de tentativas de se encaixar em um mundo que pouco compreende as diferenças”, afirma a especialista. Segundo ela, muitos indivíduos cresceram sendo rotulados como "difíceis" ou "estranhos", quando na verdade buscavam estratégias de sobrevivência em ambientes sensorialmente hostis.>
A especialista defende que identificar o TEA após a maturidade é um ato de prevenção em saúde mental. “Falar sobre autismo adulto é prevenir que problemas maiores encontrem espaço para crescer na vida de quem passou décadas sem respostas”, pontua. Santana argumenta que o reconhecimento oficial funciona como um convite à reflexão sobre a exclusão social e a necessidade de adaptar espaços de trabalho e convivência.>
Veja cinco indicadores comportamentais e sensoriais que costumam ser negligenciados em adultos, mas que são fundamentais para a investigação clínica, de acordo com a especialista:>
O cuidado com a saúde mental desses indivíduos deve ser prioridade diária, conforme conclui a psicopedagoga. A antecipação do suporte terapêutico, mesmo na fase adulta, é decisiva para aumentar a qualidade de vida e garantir que o indivíduo compreenda sua própria neurodivergência.>