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Elaine Sanoli
Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 01:02
Interditado na véspera da abertura do Carnaval de Salvador, o Camarote 305 é apontado pelas investigações da Polícia Civil como um dos meios utilizados por um grupo suspeito de lavar dinheiro oriundo da exploração ilegal de rifas na internet. Desde o sábado (14), o espaço passou a ser utilizado pela polícia como ponto estratégico de observação da folia no circuito Dodô (Barra/Ondina).>
O camarote pertence ao influenciador Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305. Nas redes sociais, ele se apresenta como youtuber e criador de conteúdo. Os ingressos vendidos para o espaço variavam entre R$ 927 e R$ 1.108. O passaporte para todos os dias de festa custava R$ 4,8 mil. Ele foi preso em flagrante na quarta-feira, na região de Busca Vida, por posse de arma de fogo e munições de uso restrito e permitido, segundo a Polícia Civil.>
Operação Falsas Promessas
Um dos advogados de Diogo também foi alvo de busca e apreensão após tentar acessar remotamente um celular que havia sido apreendido durante a Operação Falsas Promessas 3. Ele foi preso em flagrante por tentativa de obstrução da investigação. As duas prisões foram convertidas em preventivas.>
De acordo com as investigações do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), o camarote estava registrado em nome do advogado do suspeito. O empreendimento, assim como outras empresas de fachada identificadas pela polícia, seria utilizado para lavar recursos obtidos com a venda de rifas online. O delegado Fábio Lordello, responsável pelo Draco, informou que as apurações sobre as conexões financeiras das empresas seguem em andamento.>
A reportagem não conseguiu contatar as defesas dos investigados. >
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na última quarta-feira, realizado por equipes do Draco com apoio da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Serviço Aeropolicial (Saer), em um dos imóveis do investigado, a Polícia Civil apreendeu:>
A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra outros 13 investigados nas cidades de Feira de Santana, São Bernardo do Campo (SP), São Paulo, Salvador e Camaçari, além de bloquear aproximadamente R$ 125 milhões dos integrantes do grupo criminoso. >
O avião do influenciador foi o estopim para o início das investigações, conforme revelado em reportagem do Fantástico. A movimentação de valores elevados levou a Polícia Civil a apurar a origem dos recursos.>
Em seu perfil nas redes sociais, Diogo costumava divulgar rifas com valores muito baixos e prêmios que poderiam chegar a R$ 200 mil. Segundo a investigação, o baixo custo atrairia um grande número de participantes e dificultaria o rastreamento do dinheiro, o que pode indicar a atuação de organização criminosa.>
A polícia também apura possível ligação dos recursos com o tráfico de drogas. As investigações buscam esclarecer ainda se os prêmios anunciados eram efetivamente entregues aos vencedores ou se havia outras irregularidades no esquema.>