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Roberto Midlej
Publicado em 7 de maio de 2023 às 22:17
- Atualizado há 2 anos
Os cinco indiciados por envolvimento no assassinato do pediatra Júlio César de Queiroz Teixeira vão a júri popular. A decisão foi do juiz André de Souza Dantas Vieira, que acatou a representação do Ministério Público do Estado da Bahia e pronunciou os cinco criminosos por homicídio qualificado, em que o motivo é fútil e não há possibilidade de defesa da vítima. >
Os réus Diego Santos Silva, Jefferson Ferreira Gomes da Silva, Ranieri Magalhães Bonfim Borges, Adeilton de Souza Borges e Fernanda Lima da Silva seguem presos até o julgamento final pelo tribunal do júri, que ainda não está marcado. "A decisão desta semana é mais uma importante vitória na luta por verdade, justiça e respeito à memória do pediatra Júlio César de Queiroz Teixeira", disse a família da vítima em um comunicado.>
O crime ocorreu em 23 de setembro de 2021, na clínica onde o pediatra atendia, na cidade de Barra, no oesta da Bahia, no início da manhã. Um homem invadiu o estabelecimento e, depois de atirar no médico, fugiu numa moto conduzida por outra pessoa. Segundo amigos da vítima que falaram com o CORREIO, Júlio jamais relatara que havia sido ameaçado.>
Sabe-se que Diego Santos Silva, conhecido como "Cigano", esteve na clínica com a esposa e a filha, criança, a pretexto de realizar uma consulta. Amigos do médico desconfiam que a ida ao estabelecimento era para conhecer a rotina da clínica e facilitar assim a execução do crime. O acusado de atirar é Jefferson Ferreira Gomes da Silva. Diego é defendido por um advogado mineiro, que, segundo amigos de Júlio César, é notório pela qualidade de sua atuação. "Quem está pagando este advogado? A família de Cigano não tem condição. Então, foca esta pergunta", diz um amigo do médico.>
Os conhecidos de Júlio César disseram que, pouco depois do crime, receberam informações de que Cigano abusava de uma criança. Numa ligação recebida um amigo do médico, alguém perguntou por que o abuso não era denunciado. Segundo registros de atendimento encontrados na clínica, o médico, depois de atender uma filha do Cigano, sugeriu que a criança fosse encaminhada a um psicólogo e recomendou um exame nas partes urinárias. A suspeita de que Cigano teria abusado da criança pode ter motivado o crime, segundo familiares de Júlio César. >
Há ainda a possibilidade de que a motivação tenha sido financeira e comercial, porque o médico falava em abrir um negócio em Barra. >
Jefferson, acusado de executar os disparos, disse, ao ser detido, que Júlio César era pedófilo e, por isso, o teria matado. Depois, mudou a versão e disse que o médico teria olhado para os seios da esposa de Cigano e a morte seria uma vingança por isso. Jefferson morava numa casa cedida por Cigano, de acordo com conhecidos da vítima.>