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Mortes, fome e arrependimento: baianos relatam sofrimento após se alistarem em guerra na Ucrânia

Reportagem localizou ex-combatentes da Bahia e revelou promessas falsas feitas aos soldados

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09:24

Baianos relataram problemas na Ucrânia Crédito: Reprodução

Soldados baianos que se alistaram para a guerra na Ucrânia viraram destaque do Fantástico ao revelar uma situação de mortes, tortura e arrependimento depois de viajar para o país europeu como combatentes em meio ao conflito com a Rússia. Um dos entrevistados pelo programa foi João Victor de Jesus Teixeira, conhecido pelo codinome Arcanjo, que morava em Cajazeiras antes de virar um soldado da guerra.

Ele ficou conhecido, inclusive, por recrutar brasileiros, principalmente baianos, para integrar uma tropa de elite ligada ao governo da Ucrânia, em meio à guerra contra a Rússia. Na entrevista concedida à TV Globo, Arcanjo relatou o impacto da experiência no conflito e afirmou que se arrepende da decisão de ter ido ao país europeu e de ter incentivado outras pessoas a fazerem o mesmo.

Arcanjo chegou a gravar conteúdos chamando brasileiros para lutar. Hoje, ele reconhece o erro e reforça o arrependimento.“Foi algo que hoje eu não gravaria, hoje eu me arrependo muito de ter ido e de ter chamado as pessoas para lá. Vi muitos amigos morrendo e, naquele momento, decidi que a guerra não era para mim”, afirmou.

Os baianos João Victor e Marcos relataram problemas na Ucrânia por Reprodução

Fantástico localizou ao menos quatro ex-combatentes baianos que chegaram a atuar diretamente no conflito armado. Os relatos são marcados por perdas, traumas psicológicos e frustração com promessas feitas durante o recrutamento. Segundo os entrevistados, vídeos de convocação e ofertas financeiras foram determinantes para a decisão de embarcar rumo à Ucrânia.

Outro brasileiro ouvido pelo Fantástico, o produtor musical Marcos, contou que decidiu ir à Ucrânia após ser atraído pela promessa de um salário considerado alto. Ele afirma que acreditava receber cerca de “50 mil”, imaginando que o valor fosse em reais. Na prática, o pagamento era em grívnias, moeda local, o que equivalia a pouco mais de R$ 5 mil.

Ex-combatentes também relataram episódios de violência contra quem tentava deixar o front. Segundo um dos brasileiros entrevistados, a fuga era tratada como crime. “Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado”, afirmou um. Outro combatente contou que, durante a tentativa de escapar da guerra, chegou a trocar tiros com soldados ucranianos. Após retornar ao Brasil, ele relatou consequências físicas severas, incluindo a perda de 28 quilos e períodos prolongados sem alimentação.

Além do impacto direto nos combatentes, a guerra também deixou marcas profundas nas famílias que ficaram no Brasil. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, desde o início do conflito, 19 brasileiros morreram na Ucrânia e outros 44 seguem desaparecidos. Familiares relatam meses sem qualquer contato ou informação. A esposa de um dos desaparecidos afirmou que não recebe notícias desde novembro, vivendo em constante apreensão.

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Fome Baianos Mortes Guerra da Ucrânia