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Perla Ribeiro
Publicado em 2 de março de 2026 às 08:17
Desde que terminou o namoro de mais de cinco anos com Cássio Henrique da Silva Zampieri, 25 anos, a vendedora da Vivara Cibelle Monteiro Alves, 22, não teve mais um dia de paz. Inconformado com o término, ele passou a persegui-la, fazer ameaças e chegou até a enviar nudes de Cibelle em um grupo de whatsapp da joalheira em que ela trabalhava. O casal terminou o relacionamento em abril de 2025 e, nessa quarta-feira (25),, ele matou a ex a facadas, dentro da Vivara do Shopping Golden Square, onde ela trabalhava em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. As informações são do G1.>
"Dessa vez eu vou postar e deixar até você vir pedir desculpas no Instagram para os daqui e no site para os do resto do mundo. Vai ver o que é inferno de verdade", escreveu Cássio, numa mensagem do PIX, para falar sobre os nudes que enviou da ex. "Devem gostar do seu conteúdo, ninguém bloqueou", acrescentou em mensagem enviada a ex.>
Funcionária de joalheria foi morta em shopping
Antes das mensagens via PIX, ele falava com a ex pelo WhatsApp. Cibelle deixou claro que não queria mais contato, mas não adiantou: "Eu não quero mais contato com você". E Cássio respondeu: "Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei". Numa das ameaças enviadas por mensagem, Cássio diz: "Que morra mesmo. Eu quero é que se f*. Já iria resolver parte dos meus problemas. Era a terra te comendo e eu comendo as vagabundas aqui. E você sentando no colo do capeta lá embaixo".>
Todo o material apreendido está sendo avaliado pela polícia, que apura o crime como feminicídio. Segundo a delegacia que investiga o caso, Cássio não aceitava o fim do namoro e se irritou ao saber que ela estava com outra pessoa. Desde então, o criminoso passou a perseguir a jovem, que registrou boletins de ocorrência por violência doméstica contra ele. A Justiça havia dado uma medida protetiva a Cibelle para que Cássio não se aproximasse dela, mas ele continuava obcecado. >
Cibelle pediu socorro de várias formas antes de ser morta pelo ex-companheiro. Nos últimos três anos, foi submetida a uma rotina de ameaças, agressões e perseguição. Mensagens mostram a violência psicológica praticada por Cássio contra a ex-namorada. Em uma das conversas, ele intimida Cibelle e diz que, mesmo bloqueado, faria contato por outros números. “Sempre apareço”, escreveu. Em outra mensagem, ameaçou ligar novamente minutos depois caso continuasse bloqueado.>
Quando ela achou que ele não teria mais meios de importuná-la, veio a surpresa. As ameaças começaram a chegar de uma forma um tanto inusitada. Em junho do ano passado, Cássio enviou um PIX de um centavo para a conta de Cibelle apenas para registrar uma intimidação no campo de descrição do pagamento: “vai ver o que é inferno de verdade”.>
Além das ameaças vindas através de mensagens, Cibelle convivia também com a perseguição. Em mensagens enviadas a uma amiga, ela relatou que o ex-companheiro estava na portaria do prédio onde morava, mesmo com uma medida protetiva em vigor. Ela contou que acionou a polícia e disse ter medo de que ele invadisse o condomínio, que tinha uma entrada sem portaria. Naquela noite, segundo o relato, Cássio esteve no local por volta das 23h28, mas a polícia chegou cerca de uma hora e meia depois, quando ele já havia ido embora.>
Ainda no ano passado, Cibelle registrou boletins de ocorrência para denunciar a violência. Em um deles, ela deixa claro que não queria mais contato. Em resposta, o ex afirmou que a decisão “não cabia só a ela”. Esse não foi o primeiro registro feito pela vítima. Segundo a polícia, ao todo, foram três boletins de ocorrência desde 2023 — o primeiro quando o casal ainda estava junto, por agressões verbais e comportamento violento, o que deu origem a medidas protetivas concedidas pela Justiça. Após uma reconciliação, o relacionamento terminou definitivamente em 2025, quando, de acordo com a investigação, a perseguição se intensificou.>
O agressor entrou na loja por volta das 19h30, com uma faca e uma réplica de arma de fogo. Em seguida, rendeu funcionários do estabelecimento e atacou Cibelle gravemente no pescoço. A Polícia Civil foi acionada e encontrou o agressor mantendo a vítima refém. Um policial militar chegou a atirar contra Cássio, que resistia à abordagem e teria mostrado a suposta arma de fogo. Ele foi atingido na perna, socorrido e está internado, sob escolta policial, no Hospital Mário Covas. O estado de saúde é estável. Já Cibelle morreu no local.>
Testemunhas relataram que o momento foi de pânico. Um cliente contou que precisou sair correndo após ouvir os disparos. Em nota, o Shopping Golden Square lamentou a morte da funcionária e informou que presta apoio à família da vítima e está à disposição das autoridades. A Vivara também confirmou o episódio e lamentou a morte da funcionária. A empresa declarou que presta solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de trabalho e que está oferecendo suporte psicológico e assistência integral aos envolvidos.>
De acordo com a investigação, tratou-se de um ataque premeditado, cruel e extremamente violento, que durou menos de dois minutos. Policiais balearam Cássio nas pernas durante a intervenção. Ele está internado sob escolta, e a Justiça decretou a prisão preventiva. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as investigações prosseguem por meio de inquérito policial instaurado pela Equipe de Investigações sobre Homicídios da DEIC São Bernardo do Campo.>
"A prisão preventiva do indiciado, que segue internado, foi decretada pela Justiça após representação da autoridade policial. As diligências continuam para o completo esclarecimento dos fatos." Em nota, o shopping Golden Square lamentou a morte da funcionária e disse que está oferecendo apoio à família. "O shopping lamenta o caso de feminicídio contra a funcionária de uma de suas lojas na noite desta quarta-feira (25/2) e se solidariza à família. O shopping está oferecendo todo o apoio ao lojista, à família da vítima e está à disposição das autoridades".>