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Morte de esposa de tenente-coronel será reconstituída em meio a acusações de família contra oficial

PM de 32 anos foi encontrada ferida no apartamento onde morava com o marido

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 2 de março de 2026 às 10:00

Gisele Alves Santana
Gisele Alves Santana Crédito: Reprodução

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, 32 anos, que foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento em que morava em São Paulo, será reconstituída pela Polícia Civil nesta segunda-feira (2). A etapa faz parte das investigações que buscam esclarecer as circunstâncias do caso. Gisele tinha 32 anos morava com o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, com quem estava casada desde 2024.

Segundo familiares da vítima, o relacionamento entre os dois era marcado por conflitos e seria abusivo. A morte da policial ocorreu no dia 18 de fevereiro. De acordo com a versão apresentada pelo oficial, a mulher teria atirado contra a própria cabeça após uma discussão entre o casal, enquanto ele estava no banho.

Em depoimento, Geraldo afirmou que ouviu um disparo e, ao sair do banheiro, encontrou a esposa ferida dentro do apartamento. A policial chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A reconstituição integra o trabalho conduzido pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Polícia Civil, que tentam reunir elementos para esclarecer como ocorreu a morte da agente.

Gisele Alves Santana por Reprodução

Investigação

Familiares afirmaram à polícia que Gisele estava em um relacionamento abusivo com Geraldo, o que levanta suspeita sobre ele. Segundo relato de parentes ao Fantástico, por conta dos problemas no casamento, a vítima teria comunicado ao tenente-coronel e à família iria pedir o divórcio.

Ela, inclusive, chegou a fazer uma ligação para o pai pedindo que ele fosse buscá-la na residência do casal. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui", teria dito ela dias antes de morrer. A pressão, de acordo com familiares, seria feita por Geraldo.

Os familiares indicam que o tenente-coronel chegou a enviar um vídeo ameaçador para a soldado apontando uma arma para própria cabeça e ameaçando se matar. "Uma pressão psicológica: 'se você se separar de mim, eu vou te matar ou vou me matar logo em seguida'", contou um familiar, que preferiu não se identificar em entrevista ao Fantástico.

Os relatos não param por aí. Ainda segundo familiares, a filha de 7 anos de Gisele, que é de um relacionamento anterior, chegou a presenciar atos de violência psicológica de Geraldo e não queria voltar para a casa onde o problema acontecia. Todas as ações teriam sido registradas depois do casamento, quando a família percebeu uma mudança clara de comportamento do tenente-coronel em relação à vítima.

Proibições

A mãe da policial militar afirmou à polícia que a filha vivia um relacionamento marcado por conflitos constantes e comportamento abusivo por parte do marido. De acordo com ela, o oficial proibia o uso de batom, salto alto e perfume, além de exigir rigor no cumprimento de tarefas domésticas.

O caso foi inicialmente registrado como morte suspeita e suicídio. De acordo com o boletim de ocorrência, o oficial relatou ter encontrado a esposa caída no chão do imóvel, com uma arma em uma das mãos e intenso sangramento. Gisele foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não resistiu.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que "diligências estão em andamento". Em nota, a pasta acrescentou: "A Polícia Civil esclarece que o caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado no 8º DP (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito da vítima".

Até o momento, o tenente-coronel não figura como suspeito no inquérito, que segue sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo.

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Tenente-coronel Esposa Encontrada Morta