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Carol Neves
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 09:06
A morte do cão comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, após agressões na Praia Brava, em Florianópolis, levou a Polícia Civil a cumprir três mandados de busca e apreensão na manhã desta segunda-feira (26). A operação mira investigados por maus-tratos e por possível coação de testemunha no inquérito que apura o caso. As informações são do Portal G1.>
As diligências têm como objetivo reforçar a coleta de provas. Conforme a Polícia Civil, ao menos quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento nas agressões que deixaram o animal gravemente ferido e culminaram na sua morte.>
Cão Orelha foi espancado e passou por eutanásia
Também está sob investigação a denúncia de que um policial civil, pai de um dos suspeitos, teria coagido uma testemunha. A delegada responsável, Mardjoli Valcareggi, afirmou que a informação está sendo analisada, mas negou qualquer participação de policial na agressão ao cachorro. Os nomes dos investigados não foram divulgados.>
Cachorro foi encontrado agonizando após dias desaparecido>
Segundo moradores, Orelha estava desaparecido quando uma das pessoas que ajudavam a cuidar do animal o encontrou dias depois, caído e agonizando durante uma caminhada pela região. O cachorro foi recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, a equipe optou pela eutanásia.>
Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da Praia Brava, Silvio Gasperin, relatou o momento e cobrou justiça. “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”, disse.>
Símbolo da convivência na Praia Brava>
Orelha era um dos cães comunitários da Praia Brava, que abriga três casinhas destinadas aos animais. O aposentado Mário Rogério Prestes contou que era responsável por alimentá-los diariamente.>
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, afirmou.>
A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, destacou a relação dos cães com a comunidade local. “Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos’”, disse.>
Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava reforçou o impacto da perda. “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”>
Protestos e apoio de artistas>
Desde a morte do cachorro, moradores, protetores independentes e entidades ligadas à causa animal passaram a se mobilizar por justiça. No sábado (17), ocorreu o primeiro ato público na Praia Brava. Já no último sábado (24), dezenas de pessoas participaram de novo protesto, com caminhada, cartazes e uma oração em homenagem ao animal.>
A mobilização também se espalhou pelas redes sociais com a hashtag #JustiçaPorOrelha. Neste domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando a morte do cachorro e cobrando providências das autoridades.>