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Carol Neves
Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 14:58
O governo federal decidiu aumentar o imposto de importação sobre mais de mil produtos, com impacto direto em itens como smartphones, freezers e equipamentos industriais. A estimativa do Ministério da Fazenda é de que a medida gere uma arrecadação adicional de R$ 14 bilhões ainda neste ano. >
O reajuste das alíquotas - que pode chegar a 25% em alguns casos - começou a valer em novembro e integra a estratégia da equipe econômica para fortalecer a indústria nacional e ajudar no cumprimento da meta de superávit fiscal. Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo tem promovido uma série de ajustes tributários com o objetivo de reequilibrar as contas públicas.>
A decisão atinge principalmente bens de capital, como máquinas e equipamentos utilizados na produção, além de produtos de informática e telecomunicações. Em determinados casos, a elevação da taxa foi de até 7,2 pontos percentuais.>
CHECKLIST IMPOSTO DE RENDA
Importadores criticam a iniciativa e apontam risco à competitividade e possível pressão inflacionária. Já o governo sustenta que a medida é necessária para preservar a indústria brasileira diante do avanço das importações.>
Produtos atingidos>
Smartphones;>
Torres e pórticos;>
Reatores nucleares;>
Caldeiras;>
Geradores de gás de ar;>
Turbinas para embarcações;>
Motores para aviação;>
Bombas para combustíveis ou lubrificantes;>
Fornos industriais;>
Freezers;>
Centrifugadores para laboratórios;>
Máquinas para encher e rotular garrafas;>
Empilhadeiras;>
Robôs industriais;>
Máquinas de compactação;>
Distribuidores de fertilizantes;>
Equipamentos para panificação, açúcar e cervejarias;>
Máquinas para fabricação de sacos e envelopes;>
Equipamentos de impressão;>
Cartuchos de tinta;>
Máquinas têxteis;>
Equipamentos para fabricação e reparo de calçados;>
Circuitos impressos montados;>
Painéis indicadores com LCD ou LED;>
Tratores;>
Embarcações, incluindo navios e plataformas de perfuração;>
Câmeras para uso médico ou investigação;>
Aparelhos de ressonância magnética;>
Equipamentos odontológicos;>
Aparelhos de tomografia computadorizada.>
O que diz o governo>
Em nota técnica, o Ministério da Fazenda informou que as importações de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022. Segundo a pasta, esses produtos já representam mais de 45% do consumo nacional - patamar que, de acordo com o governo, ameaça elos da cadeia produtiva e pode provocar “regressões produtiva e tecnológica do país, de difícil reversão”.>
O ministério classificou a medida como “moderada e focalizada”, afirmando que ela é necessária para “reequilibrar preços relativos, mitigar a concorrência assimétrica, conter a tendência de aumento da penetração de importados e reduzir a vulnerabilidade externa estrutural associada ao déficit setorial”.>
A equipe econômica também argumenta que o uso de instrumentos tarifários segue uma tendência internacional. Segundo o governo, diversos países reforçaram a proteção em setores específicos ou adotaram medidas comerciais para enfrentar choques externos e práticas de dumping.>
No ano passado, os principais fornecedores desses produtos ao Brasil foram Estados Unidos (US$ 10,18 bilhões, 34,7% de participação), China (US$ 6,18 bilhões, 21,1%), Singapura (US$ 2,58 bilhões, 8,8%) e França (US$ 2,52 bilhões, 8,6%).>
Apesar do aumento das tarifas, o governo informou que empresas poderão solicitar redução temporária da alíquota para zero até 31 de março, nos casos de produtos que já haviam sido beneficiados anteriormente. A autorização provisória poderá valer por até 120 dias.>
Protecionismo>
O tema ocorre em meio a discussões globais sobre barreiras comerciais. Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais do país - medida conhecida como “tarifaço” - e derrubou parte do aumento.>
Antes da decisão, o governo brasileiro vinha criticando a política tarifária norte-americana. Em abril do ano passado, o presidente Lula afirmou que responderia a qualquer iniciativa protecionista dos Estados Unidos, classificando esse tipo de postura como algo que “não cabe mais”.>
Estudo do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) divulgado no ano passado indica que o grau de abertura comercial do Brasil aumentou nos últimos anos. Ainda assim, o levantamento conclui que o país continua relativamente mais fechado que outras economias em desenvolvimento comparáveis.>