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Esther Morais
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 08:59
O empresário brasileiro Eike Batista e sua ex-mulher, a atriz e modelo Luma de Oliveira, são citados em mensagens que integram documentos do caso Jeffrey Epstein, recentemente tornados públicos pelo governo dos Estados Unidos. O material volta a lançar luz sobre a rede de contatos do financista norte-americano, preso em 2019 sob acusações de crimes sexuais, incluindo exploração de menores. >
As menções aparecem em trocas de mensagens entre Epstein e o agente francês Jean-Luc Brunel, apontado por investigadores como um dos principais operadores de um esquema internacional de aliciamento de jovens modelos. Em uma das conversas, Epstein questiona Brunel sobre Luma de Oliveira, associando o nome da atriz ao de Eike Batista.>
“E a namorada do Eike Batista? Você chegou a comentar isso comigo”, escreveu Epstein.>
Brunel respondeu: “Eu mencionei a Luma de Oliveira; ele era ou é casado com ela”.>
Veja fotos dos arquivos de Jeffrey Epstein
As mensagens fazem parte de um amplo conjunto de documentos - que inclui agendas, e-mails e registros de contatos mantidos ao longo de décadas - divulgado anos após a morte de Epstein. O financista foi encontrado morto em agosto de 2019, na prisão, enquanto aguardava julgamento.>
Eike Batista negou qualquer relação com Jeffrey Epstein em declaração à coluna de Ancelmo Gois, do O GLOBO. O empresário afirmou que nunca conheceu nem manteve contato com o financista americano e solicitou que essa informação fosse registrada publicamente para evitar especulações.>
“Não conheço e nunca falei com Epstein. E, mesmo que tivesse conhecido, ele jamais me convidaria para qualquer tipo de festa. Quem me conhece sabe que sou avesso a esse tipo de ambiente”, afirmou.>
Jean-Luc Brunel, citado nas mensagens, foi formalmente acusado de estupro, agressão sexual e assédio. Segundo investigações, ele esteve no Brasil em abril de 2019 com o objetivo de recrutar modelos para trabalhar nos Estados Unidos. Brunel morreu em 2022, enquanto estava preso na França.>
Diante da repercussão dos documentos, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou, na terça-feira (3), que a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado acompanhará de perto a divulgação dos arquivos do caso Epstein, que mencionam o Brasil.>
Segundo a parlamentar, há diversas referências ao país nos documentos recentemente tornados públicos.>
“Há citações ao Brasil porque crianças brasileiras estão envolvidas na exploração sexual capitaneada por Epstein. A palavra ‘Brasil’ aparece porque mulheres foram traficadas para os esquemas liderados por ele”, declarou Damares, que preside a CDH.>
A senadora destacou que a proteção de crianças e adolescentes é prioridade absoluta do colegiado. Ela citou dados do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), do Ministério Público Federal, que apontam mais de 50 mil crianças desaparecidas no país, além de casos recentes que evidenciam a gravidade da exploração sexual infantil, com apreensões de até 1 milhão de imagens de abuso.>
“Enquanto houver pedófilos, haverá oferta, e nossas crianças continuarão em risco. A Comissão de Direitos Humanos fará da proteção das crianças e dos adolescentes uma prioridade absoluta”, concluiu.>