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Wendel de Novais
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 10:21
Imagens captadas por câmeras de segurança foram decisivas para a Polícia Civil de Santa Catarina apontar inconsistências no depoimento do adolescente investigado pela morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O inquérito foi concluído na terça-feira (3) e a corporação solicitou à Justiça a internação provisória do jovem, apontado como autor das agressões, de acordo com informações do g1. >
Com isso, o adolescente foi responsabilizado por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos contra animal. Durante o interrogatório, o investigado apresentou versões conflitantes e omitiu informações relevantes para o esclarecimento do caso. As imagens analisadas pela investigação mostram o adolescente deixando o condomínio onde estava hospedado por volta das 5h25 do dia 4 de janeiro e retornando cerca de meia hora depois, às 5h58, acompanhado de uma amiga.>
Em depoimento, no entanto, ele afirmou ter permanecido durante todo o período na área da piscina do local. O cão Orelha foi atacado aproximadamente às 5h30, horário compatível com a ausência do adolescente registrada pelas câmeras. Além dos vídeos, a investigação reuniu depoimentos de testemunhas e análise das roupas usadas pelo jovem naquela madrugada. Com a conclusão do inquérito, o material foi encaminhado ao Judiciário, que vai avaliar o pedido de internação provisória enquanto o caso segue.>
Imagens flagraram a contradição do adolescente
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O caso, que gerou forte comoção, aponta para a participação de adolescentes nas agressões. Dois deles, suspeitos de envolvimento direto, haviam deixado o país logo após o crime em uma viagem previamente marcada pelas famílias, mas retornaram ao Brasil na última quinta-feira (29). >
Outros dois adolescentes já tinham sido identificados e localizados durante uma operação policial realizada no início da semana. Apesar do volume de material analisado, a polícia informou que não há registros em vídeo do momento exato em que o cão foi atacado e nem imagens que mostrem os adolescentes interagindo diretamente com o animal. >
Segundo informações do Fantástico, a investigação se baseia em um conjunto de indícios que, reunidos, sustentam a linha de apuração sobre a participação do grupo. O trabalho é montar um “quebra-cabeça” para esclarecer a dinâmica do crime. >
Cão Orelha foi espancado e passou por eutanásia
As investigações indicam que quatro adolescentes participaram do espancamento que levou à morte do cão. Por se tratar de menores de idade, os dados pessoais dos suspeitos seguem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). >
O procedimento por ato infracional está sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). >
Paralelamente, a Polícia Civil indiciou três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — por suspeita de coação no curso do processo. De acordo com a investigação, eles teriam tentado intimidar o vigilante de um condomínio que possuía uma imagem considerada relevante para a reconstrução dos fatos. >
Como parte final da apuração, foi solicitado o laudo de necropsia do animal. O exame pericial é tratado como fundamental para apontar, de forma técnica, a causa da morte e as circunstâncias em que ocorreram as agressões. O cão Orelha era conhecido por circular livremente por uma das áreas mais valorizadas da capital catarinense. >