Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Agência Correio
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 07:00
A descoberta de um cargueiro de 600 anos no estreito entre a Dinamarca e a Suécia é a prova mais recente e concreta da existência de uma rede de comércio internacional muito complexa que existia perto do Polo Norte. Esse é, segundo pesquisadores, o maior navio mercante medieval já visto. >
O navio, batizado de Svælget 2, estava a 13 metros de profundidade, enterrado em uma camada de areia. Arqueólogos encontraram a embarcação durante as obras de infraestrutura em um bairro de Copenhague.>
Coveiro do mar: naufrágio de barcos e navios vira lucro
A análise dos materiais de construção trouxe informações sobre a economia que existia no século XV. O achado é considerado um marco para entender a engenharia naval e o transporte do período medieval.>
A análise da madeira no navio revelou que o carvalho usado na construção veio da região onde hoje fica a Polônia. Por outro lado, as estruturas internas foram feitas com materiais específicos vindos dos Países Baixos.>
Portanto, o navio já fazia parte de um sistema internacional antes mesmo de tocar a água pela primeira vez. Como explica Otto Uldum: 'A descoberta constitui um marco para a arqueologia marítima moderna', defende.>
A construção de uma embarcação desse porte exigia investimentos pesados e acesso a recursos de várias nações. O Svælget 2 tinha 28 metros de comprimento e suportava quase 300 toneladas de mercadorias diversas.>
Além da estrutura robusta, o interior do navio preservou itens pessoais que contam histórias da vida daquela época. Pentes, rosários e sapatos usados pelos marinheiros foram encontrados pelos mergulhadores sob a areia do fundo.>
A embarcação revelou-se ser uma verdadeira cápsula do tempo, onde se pode ter ideia da rotina de seis séculos atrás. A tripulação, por exemplo, contava com uma cozinha de tijolos para preparar refeições quentes durante as viagens.>
'Isto revela um conforto e uma organização excepcionais a bordo dos grandes navios', diz Otto Uldum, diretor da escavação. Ele diz ainda que os marinheiros buscavam manter seus costumes mesmo enfrentando os desafios das águas do Mar Báltico.>
A areia protegeu o lado de estibordo, como é chamado o lado direito de uma embarcação, e permitiu a observação, até então, inédita dos chamados castelos de popa. Essas partes elevadas eram conhecidas pelos historiadores apenas através de ilustrações em livros antigos.>
Embora a carga tenha desaparecido, a estrutura do porão sugere que o navio operava em sua capacidade máxima. Esse detalhe reforça a importância econômica do cargueiro para o abastecimento da região norte.>
O estudo contínuo do Svælget 2 ajuda a desvendar como os antigos navegantes viviam e trabalhavam no mar. Essa descoberta amplia o conhecimento sobre a sociedade europeia no século 15.>
Você pode gostar de saber também que o maior navio de cruzeiro do mundo é 5 vezes maior que o Titanic e tem parque aquático completo e que existem os chamados coveiros do mar, como são chamados os especialistas que ganham milhões para afundar navios em alto mar.>