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Cão Orelha: polícia analisa mil horas de vídeos e ouve 20 testemunhas em investigação contra adolescentes

Adolescentes são suspeitos de espancar animal na Praia Brava; três adultos foram indiciados por coação

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 07:58

Cão Orelha
Reprodução Crédito: Cão Orelha

A apuração sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, espancado até a morte na Praia Brava, em Florianópolis (SC), avança com uma força-tarefa que envolve dezenas de depoimentos e uma ampla análise de imagens. A Polícia Civil já ouviu mais de 20 testemunhas e examina cerca de mil horas de gravações de câmeras de segurança instaladas na região onde o animal vivia.

O caso, que gerou forte comoção, aponta para a participação de adolescentes nas agressões. Dois deles, suspeitos de envolvimento direto, haviam deixado o país logo após o crime em uma viagem previamente marcada pelas famílias, mas retornaram ao Brasil na última quinta-feira (29). Outros dois adolescentes já tinham sido identificados e localizados durante uma operação policial realizada no início da semana.

Cachorro Orelha por Reprodução

Apesar do volume de material analisado, a polícia informou que não há registros em vídeo do momento exato em que o cão foi atacado e nem imagens que mostrem os adolescentes interagindo diretamente com o animal. Segundo informações do Fantástico, a investigação se baseia em um conjunto de indícios que, reunidos, sustentam a linha de apuração sobre a participação do grupo. O trabalho é montar um “quebra-cabeça” para esclarecer a dinâmica do crime.

As investigações indicam que quatro adolescentes participaram do espancamento que levou à morte do cão. Por se tratar de menores de idade, os dados pessoais dos suspeitos seguem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O procedimento por ato infracional está sob responsabilidade da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). 

Paralelamente, a Polícia Civil indiciou três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — por suspeita de coação no curso do processo. De acordo com a investigação, eles teriam tentado intimidar o vigilante de um condomínio que possuía uma imagem considerada relevante para a reconstrução dos fatos.

Como parte final da apuração, foi solicitado o laudo de necropsia do animal. O exame pericial é tratado como fundamental para apontar, de forma técnica, a causa da morte e as circunstâncias em que ocorreram as agressões. O cão Orelha era conhecido por circular livremente por uma das áreas mais valorizadas da capital catarinense.

Tags:

Polícia Câmeras Investigação cão Orelha