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Governo investiga descoberta de petróleo em cidade do Nordeste

Agricultor perfurou terra em busco de água e acabou encontrando óleo que aparentar ser petróleo

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de março de 2026 às 08:17

Momento que agricultor fez descoberta no solo
Momento que agricultor fez descoberta no solo Crédito: Reprodução

Uma perfuração feita para buscar água no sertão do Ceará acabou levantando a suspeita de um novo ponto com petróleo na região Nordeste. O caso ocorre em Tabuleiro do Norte e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) instaurou procedimento administrativo para investigar a ocorrência.

A substância foi encontrada em novembro de 2024, na localidade de Sítio Santo Estevão, zona rural da cidade. O agricultor Sidrônio Moreira perfurava um poço com cerca de 40 metros de profundidade para abastecer os animais da propriedade quando um líquido escuro emergiu do solo. Inicialmente, a família acreditou que se tratava de água. Um vídeo gravado no momento mostra a comemoração. Semanas depois, porém, a expectativa deu lugar à dúvida.

IFCE investiga o caso por Marcelo Andrade/IFCE

“Quando eles estavam perfurando, já estavam quase a 40 metros, depois de 30 metros, saiu um líquido, e aí no vídeo meu pai até comemora porque ele pensava que era água. E acabou que depois que o perfurador parou, não saiu nada (de água)”, relatou ao portal G1 Saullo Moreira, filho do agricultor.

Análises indicam semelhança com petróleo da Bacia Potiguar

Após a descoberta, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), em Limoeiro do Norte, que recebeu uma amostra do material. O instituto recorreu ao Núcleo de Pesquisa em Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), para exames mais detalhados.

Os testes físico-químicos apontaram que o líquido é uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades muito próximas às do petróleo extraído em áreas terrestres da Bacia Potiguar, que abrange partes do Rio Grande do Norte e do Ceará, tanto em terra quanto no mar.

Apesar dos resultados, a confirmação oficial depende de análise feita por laboratório credenciado pela ANP. Segundo a família e o IFCE, o órgão foi comunicado em julho de 2025. A agência informou, em 25 de fevereiro, que abriu procedimento administrativo e que acionará o órgão ambiental competente, sem detalhar quais medidas serão adotadas.

Área fica próxima a bloco de exploração

O município de Tabuleiro do Norte não integra atualmente nenhum bloco de exploração leiloado pela ANP. Ainda assim, o ponto onde a substância foi localizada está a cerca de 11 quilômetros do bloco mais próximo na área da Bacia Potiguar.

No Brasil, as áreas com potencial petrolífero são divididas em blocos que podem ser ofertados em leilões para empresas interessadas. Antes disso, porém, são realizados estudos técnicos para avaliar extensão da jazida, qualidade do óleo e viabilidade econômica da extração.

Todo o processo - da confirmação da jazida até eventual leilão, licenciamento ambiental e início da produção - pode levar anos.

Sem água, família enfrenta dificuldades

Enquanto aguarda uma posição da ANP, a família segue sem resolver o problema que motivou a perfuração: a falta de água. Depois do primeiro poço, onde surgiu o líquido escuro, um segundo foi aberto, com cerca de 20 metros de profundidade, mas também não houve sucesso.

“Tem poços na região que são de 30 metros, já dá água, e a água que a gente fala nem é água de consumo mesmo, é água pros próprios animais. E aí a gente cavou outro poço, só que o outro poço é bem mais raso, é 20 metros no máximo, e aí não deu também. E aí a gente acabou que isolando, porque como não tava dando, a gente tava acabando o nosso recurso”, contou Saullo.

Para custear as perfurações, Sidrônio utilizou economias próprias e ainda recorreu a empréstimo. Em períodos mais críticos, a propriedade depende de carro-pipa para abastecimento.

Com o risco de contaminação do lençol freático caso um poço seja perfurado de forma inadequada, a família decidiu suspender novas tentativas até receber orientação oficial.

“O que a gente queria era água, né? O que a gente queria era solucionar o problema da água lá, até porque meu pai já é idoso, gosta de criar esses animais. Hoje, eu queria que, se fosse petróleo, a gente resolvesse o mais rápido possível pra ele ter essa forma de renda extra e aí sim, se tiver uma forma de renda extra, ele conseguir, de alguma forma, levar a água, nem que seja mais próximo. Hoje eles compram carro-pipa quando falta [água] por muito tempo. E aí, se ficar, se tiver algum recurso, eles podem comprar com mais frequência”, disse.

Tags:

Petróleo Tabuleiro do Norte