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'Matei a Cibelle': ex-namorado mandou áudio para amigos após matar vendedora de joalheria

Crime foi precedido por anos de ameaças, perseguição e descumprimento de medida protetiva

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 1 de março de 2026 às 07:55

Cibelle Monteiro Alves, Cassio Zampieri
Cibelle foi morta pelo ex-namorado Crédito: Reprodução

A investigação sobre o assassinato de Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, ganhou um novo elemento após a divulgação de um áudio enviado pelo ex-companheiro logo depois do ataque. Na gravação, encaminhada a um grupo de amigos ainda dentro do shopping, Cássio Henrique da Silva, 25, admite o crime: “Eu matei a Cibelle”.

Na mensagem completa, o agressor afirma: “Rapaziada, me desculpa de todo coração, vocês sabem tudo que passou. Me segurei ao máximo para não fazer. Eu matei a Cibelle, mano. Tá cheio de polícia aqui”.

O feminicídio ocorreu na quarta-feira (25), dentro de uma joalheria no Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista. Cibelle foi atacada enquanto trabalhava.

Cibelle estava trabalhando quando foi assassinada por Reprodução

Histórico de ameaças e perseguição

De acordo com a Polícia Civil, o crime foi o desfecho de um ciclo de violência que se estendia há pelo menos três anos. O ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento, que havia durado mais de cinco anos.

Mensagens divulgadas pela TV Globo mostram episódios de intimidação constantes. Em uma delas, Cássio escreveu: “Sempre apareço”, ao afirmar que continuaria tentando contato mesmo após ser bloqueado. Em outra ocasião, ameaçou ligar novamente caso fosse impedido de falar com ela.

As ameaças chegaram até a conta bancária da vítima. Em junho do ano passado, ele enviou um PIX de um centavo apenas para inserir no campo de descrição a frase: “vai ver o que é inferno de verdade”.

Cibelle também relatou a uma amiga que o ex-companheiro estava na portaria de seu prédio, mesmo com medida protetiva em vigor. Segundo o relato, ela acionou a polícia com medo de que ele invadisse o condomínio por uma entrada sem controle. Naquela noite, ele deixou o local antes da chegada da viatura.

Ao todo, segundo o delegado responsável, foram três boletins de ocorrência desde 2023. O primeiro registro aconteceu quando o casal ainda mantinha o relacionamento e resultou na concessão de medidas protetivas pela Justiça. Após uma reconciliação, o rompimento definitivo ocorreu em 2025, período em que, conforme a investigação, a perseguição se intensificou.

Ataque durou menos de dois minutos

Na quarta-feira, o agressor entrou na loja armado com uma faca e uma arma de airsoft. Funcionárias foram feitas reféns. Cibelle foi esfaqueada no pescoço.

Um policial civil que passava pelo local interveio e atirou contra o agressor. Ele foi baleado nas pernas. A vítima e o autor foram socorridos em estado grave por equipes de resgate e pelo Samu, mas a morte da jovem foi confirmada posteriormente.

Segundo a investigação, o ataque foi premeditado, cruel e extremamente violento, e durou menos de dois minutos. O suspeito está internado sob escolta. A Justiça decretou a prisão preventiva.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso foi registrado como feminicídio e é apurado pela equipe de investigações sobre homicídios da Deic de São Bernardo do Campo.

Em nota, o prefeito da cidade, Marcelo Lima, afirmou que “uma mulher foi vítima de feminicídio por parte de seu ex-companheiro, num ataque covarde.”

Pânico e correria

Testemunhas relataram momentos de desespero durante os disparos. Clientes deixaram o shopping às pressas, enquanto funcionários se esconderam em banheiros e almoxarifados.

“Estava comprando um relógio e tive que sair correndo. Muito ruim a cena que eu vi”, escreveu um cliente nas redes sociais. “Minha irmã também trabalha no shopping. Ela estava com as vendedoras trancadas no almoxarifado”, relatou outra pessoa.

O shopping foi isolado para a realização da perícia. Em comunicado, o empreendimento lamentou o caso e informou estar prestando apoio ao lojista e à família da vítima.

“O shopping lamenta o caso de feminicídio contra a funcionária de uma de suas lojas na noite desta quarta-feira (25/2) e se solidariza à família. O shopping está oferecendo todo o apoio ao lojista, à família da vítima e está à disposição das autoridades”, diz a nota.