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Nauan Sacramento
Publicado em 27 de março de 2026 às 06:00
A escalada do conflito armado no Oriente Médio, iniciada em fevereiro após ataques contra o programa nuclear do Irã, já projeta efeitos na economia brasileira. O aumento no preço do diesel e a insegurança nas rotas marítimas devem elevar o custo dos fretes rodoviários em até 20%, com repasse imediato para o consumidor final nos próximos dias, é o que revelou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). >
A alta do petróleo e do dólar atinge em cheio os grãos básicos. Segundo o professor e contador André Dedeko, o trigo e o milho tendem a ser os primeiros a subir, pois são a base da alimentação humana e animal.>
O cenário é agravado pela fragilidade das reservas nacionais. Segundo o especialista, atualmente, o Brasil não possui estoques estratégicos de alimentos básicos, como trigo e milho, suficientes para conter a volatilidade de preços caso a guerra se prolongue por mais de seis meses.>
“Os estoques públicos de alimentos básicos, como trigo e milho, estão baixos e não dão conta de cobrir grandes interrupções no fornecimento internacional. Por isso, o país depende muito das importações e pode sentir forte impacto nos preços se o comércio global for afetado por meses”.>
Além dos alimentos, o setor farmacêutico (medicamentos) e de tecnologia (eletrônicos) também monitoram possíveis reajustes devido ao custo dos componentes plásticos derivados do petróleo.>
Pães e Massas: o Brasil importa grande parte do trigo, com o frete e o seguro marítimo mais caros, pães e biscoitos sofrem reajuste;>
Proteína Animal: aves, suínos e bovinos ficam mais caros porque a ração (feita de milho e soja) depende de fertilizantes importados e transporte encarecido;>
Óleos e Açúcar: a entressafra e o uso desses produtos para biocombustíveis (biodiesel e etanol) mantêm a demanda alta, pressionando os preços na gôndola.>
Guerra no Oriente Médio ameaça preço dos alimentos no Brasil; saiba quais podem ficar mais caros
Um dos maiores pontos de preocupação é o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã. A rota é vital para a chegada de fertilizantes ao Brasil. "Se o caminho for bloqueado, haverá desabastecimento ou uma explosão nos preços de insumos para culturas como soja, arroz, cana-de-açúcar e algodão", explica Dedeko.>
O aumento do frete marítimo, causado por desvios de rota na África para evitar zonas de bombardeio, chega ao supermercado em "efeito cascata": a indústria paga mais caro pela matéria-prima, o distribuidor repassa o custo logístico e o varejo ajusta a margem final.>