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BRICS ampliado enfrenta crise com guerra no Oriente Médio e divisão entre Irã e Arábia Saudita

Expansão de 2024 expõe conflito interno, pressiona diplomacia do Brasil e eleva risco com petróleo a US$ 100

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 24 de março de 2026 às 10:16

Presidente Lula posa com chefes de Estado e de governo dos países-membros do Brics
Presidente Lula posa com chefes de Estado e de governo dos países-membros do Brics Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O projeto de um Sul Global coeso, que ganhou corpo com a ampliação do BRICS em 2024, vive em 2026 seu momento de maior vulnerabilidade. A escalada bélica no Levante, marcada por ofensivas diretas entre grandes potências e ameaças a corredores logísticos, empurrou o bloco para um labirinto diplomático. O grande desafio da cúpula agora é impedir que as tensões militares entre seus novos integrantes transformem uma aliança de cooperação econômica em um palanque de impasses insolúveis.

O fator Trump e a fissura interna

A instabilidade nas relações entre os líderes do grupo joga luz sobre os interesses de Donald Trump. O presidente norte-americano, crítico contumaz do bloco, vê no enfraquecimento do bloco uma oportunidade estratégica.

Com o acirramento das hostilidades e a volatilidade do mercado energético, o clima nas reuniões de cúpula se deteriorou. Para Marta Fernández, diretora do BRICS Policy Center e professora da PUC-Rio, o conflito atua como um catalisador de divergências que já estavam mapeadas. Em entrevista ao jornal O Globo, a especialista destacou que o cenário atual "pode acabar servindo aos objetivos políticos do presidente americano", já que a guerra amplia as rachaduras internas do grupo.

O Itamaraty e o receio da securitização

Os efeitos práticos dessa falta de sintonia já se tornam evidentes, encontros ministeriais de alto escalão foram cancelados por ausência de uma arquitetura de segurança unificada. No Itamaraty, a preocupação é que a pauta bélica ofusque as bandeiras históricas do Brasil, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a desdolarização das trocas comerciais.

A tese é clara. O BRICS não possui natureza de aliança militar. Segundo Rubens Duarte, coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial e professor da ECEME, o grupo nasceu para ser um foro de concertação política e reforma do multilateralismo, focado em fortalecer a inserção internacional de seus membros e nunca foi formatado para atuar no campo da defesa mútua.

A sombra do petróleo e o Estreito de Ormuz

Para além das mesas de negociação, o que preocupa os anfitriões do bloco é o barril de petróleo rompendo a barreira dos US$ 100. A possibilidade de um travamento no Estreito de Ormuz, corredor estratégico para a energia global, impõe um pragmatismo imediato, todos precisam de rotas marítimas seguras.

Entretanto, a unidade para por aí. Enquanto o Irã cobra uma resposta agressiva contra as incursões do Ocidente, monarquias como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos adotam cautela. Esses membros operam sob uma lógica de cautela, tentando equilibrar a autonomia dentro do BRICS com a dependência histórica de seus acordos de segurança com Washington.

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Eua Brasil Petróleo Politica Oriente Médio